Ca.DA celebra Dia Mundial da Dança com Programa Coreógrafos Emergentes
Inês Barros, Rita Carpinteiro e Vitor Afonso são os autores em destaque a 29 e 30 de Abril, na Academia Almadense
“Concierge”, de Inês Barros, “too much?”, de Rita Carpinteiro e “Culpa”, de Vitor Afonso, são as peças originais que integram o Programa Coreógrafos Emergentes, apresentado pela Companhia de Dança de Almada (Ca.DA) no Dia Mundial da Dança, a 29 e 30 de Abril, no Auditório Osvaldo Azinheira, na Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense (AIRFA).
Tendo como objectivo fomentar o desenvolvimento artístico de autores de dança contemporânea, em 2026 a direcção da Ca.DA seleccionou, três das diversas propostas espontâneas recebidas por parte de jovens bailarinos/coreógrafos.
Inês Barros é bailarina da Ca.DA. Anteriormente integrou o Quorum Project e a InTranzYt Cia. Como criadora, coreografou para a Academia de Dança de Alcobaça, FORMA – Estúdio de Dança de Chaves e Ca.DA Escola. Em 2025, participou no Projeto ECO – Emergentes em Criação e Orientação, da Play False Associação Cultural. Inspirado no álbum “Hotel Heaven” de Yellow Days, “Concirge” leva a figura da recepcionista para a arena política, um espaço de ordem aparente, que esconde incerteza e fragilidade. “Concierge” personifica a autoridade, mas em vez de ser infalível, revela as dúvidas e a desordem inerentes ao seu papel. Este solo explora a tensão entre a fachada de controlo e as ansiedades internas de quem governa, mostrando a luta constante de um líder para manter a acção e a identidade, perante a persistente incerteza do poder.

Rita Carpinteiro é intérprete, criadora e investigadora em artes performativas. Em 2013 foi distinguida como Jovem Revelação pela cidade de Setúbal, onde concluiu a sua formação profissional em dança. Integrou a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo (CPBC) e colaborou com coreógrafos como Clara Andermatt, Amélia Bentes, Diana Niepce, entre outros. Em “too much?”, a autora propõe-se trabalhar o riso enquanto mecanismo de exposição: o riso que ataca e o riso que se adapta – entre o excesso que ameaça romper a forma, e a contenção que recompõe a postura. “Interessa-me o riso nesse lugar íntimo de tensão, onde o corpo oscila entre esconder-se e mostrar-se — um espaço de resistência subtil, onde convivem vulnerabilidade, erotização, poder e descontrolo”, declarou a autora.
Vítor Afonso integrou o colectivo Madeira Ballet Theatre – MBT, Sublime Dance Company, Quorum Ballet. Participou ainda em projectos de Margarida Belo Costa, Allan Fallieri, Victor Hugo Pontes e Diana Niepce. É bailarino da Companhia de Dança de Almada desde 2021, para a qual criou o solo “a silent echo”, apresentado no SOLO Çağdaş Dans Festivali, na Turquia. Em “Culpa” o autor aborda o precisamente o sentimento de culpa. “Entre o peso do que não se controla, a impotência de quem cuida e o vazio de quem não se reconhece, a culpa ergue-se como personagem silenciosa, induzindo a estados de ansiedade, tristeza, raiva… numa mistura complexa e por vezes difícil de processar. Neste espaço temporal, em que quatro pessoas partilham percursos, é revelado como este sentimento as influencia, recorrendo por vezes a mecanismos de coping, compreensão e ajuda mútua. Os corpos e movimentos reverenciam os estados emocionais e representam a transitoriedade das emoções, desde o seu manifesto até à aceitação.”, descreve o autor.
O Programa Coreógrafos Emergentes é uma iniciativa continuada da Ca.DA, “que pretende dar espaço à criação artística e promoção de autores de dança contemporânea menos conhecidos do público, mas cujo trabalho merece a atenção da sua direcção artística, pela qualidade técnica e conceptual, originalidade e profundidade.”, explica a companhia.
Almada, Ca.Da, Companhis de Dança de Almada, Coreógrafos Emergentes 2026, Cultura, dança, Dia Mundial da Dança
