Costa da Caparica | “Sombras” inicia ciclo de cinema dedicado a John Cassavetes
Em exibição a 7 de Maio, pelas 20h30, no Auditório Costa da Caparica
O Cineclube Impala, organizado pela Associação Gandaia, está de volta depois de um interregno forçado. No ecrã do Auditório Costa da Caparica, o filme “Sombras” do cineasta John Cassavetes, inicia um ciclo de cinema dedicado a este realizador americano, que irá decorrer durante o mês de Maio. “Rostos” no dia 14, “Uma Mulher sob Influêcia” a 21, e “Noite de Estreia” a 28, são os filmes que serão exibidos nas próximas semanas, sempre às Quintas, pelas 20h30.
Em “Sombras”, o filme improvisado de Cassavetes, com banda sonora de jazz, o realizador explora amizades e relacionamentos inter-raciais na época Beat (1950), em Nova Iorque. Nele, três jovens irmãos afro-americanos partilham um apartamento em Nova Iorque. Benny passa os dias entre a rua e os bares, Hugh tenta fazer carreira como cantor de jazz, e Leila sonha ser escritora.
O filme foi a primeira longa metragem de Cassavetes, e funciona como um “manifesto” de um novo cinema americano, um cinema “rebelde”, independente, com técnicas de documentário, que inaugura uma forma de trabalhar com os actores que se tornaria uma marca distintiva e decisiva na obra do realizador americano. É um dos momentos marcantes do nascimento do cinema moderno, e venceu o Prêmio da Crítica no Festival de Cinema de Veneza
John Cassavetes, foi um actor, director e argumentista de cinema de origem greco-americana. É considerado um dos pioneiros do cinema independente americano, pois financiou muitas vezes os seus filmes. Após estudar na American Academy of Dramatic Arts, começou a carreira em séries de televisão e filmes de série B, e chegou a ser comparado a Marlon Brando pelos críticos de cinema. Como realizador e guionista, realizou 12 longas metragens ao longo da sua carreira. Os seus filmes têm uma abordagem centrada no actor, com ênfase nas relações humanas cruas e nos “pequenos sentimentos”, pois rejeitava a narrativa hollywoodesca tradicional, o seu método de actuação e a estilização excessiva. Defendia que a actuação deveria ser uma expressão de alegria criativa, e não a “angústia sombria e melancólica” associada ao ensino de Strasberg, no Actors Studio. Frequentemente apresentava personagens difíceis, cujos comportamentos não eram facilmente compreendidos, rejeitando explicações psicológicas ou narrativas simples para as suas acções. As suas obras são associadas a uma estética de improvisação e uma sensação de cinema verdade. Muitos de seus filmes foram rodados e editados na sua casa em Los Angeles. Esteve nomeado para os Óscares duas vezes, uma como melhor realizador, outra como melhor guião original. Cassavetes viveu a maior parte da sua carreira como um director que trabalhava “fora do sistema”, numa atmosfera comunitária, “livre das preocupações comerciais de Hollywood”. Foi casado com a actriz americana Gena Rowlands, de 1954 até à sua morte, em 1989. No final da década de 1980, sofreu problemas de saúde graves e a sua carreira encontrava-se em declínio. Morreu em 1989 de cirrose hepática, causada por muitos anos de consumo excessivo de álcool. Tinha apenas 59 anos de idade, e deixou mais de 40 roteiros não produzidos, um romance inédito intitulado “Os Maridos”, e três peças de teatro também inéditas.
A revista “The New Yorker”, escreveu que Cassavetes “pode ser o director americano mais influente da segunda metade do século XX”.

Ficha Técnica:
Título original: Shadows
Realização: John Cassavetes
Argumento: Robert Alan Aurthur, John Cassavetes
Produção: Maurice McEndree
Elenco: Ben Carruthers, Lelia Goldoni, Hugh Hurd, Anthony Ray, Dennis Sallas, Tom Reese,
Fotografia: Erich Kollmar
Música: Charles Mingus, Shafi Hadi
Edição: Maurice McEndree, Len Appelson
Género: Drama
Origem: EUA
Ano: 1958
Duração: 85 min
Classificação: M/12
Bilhetes a 1€ para sócios, e a 2€ para o público em geral.
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