Enfermeiros da ULS Almada-Seixal em greve

Exigem pagamentos de retroactivos em atraso das progressões e ajustes salariais

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Os enfermeiros da Unidade Local de Saúde Almada-Seixal (ULSAS) estão, desde as 10h30 de hoje, 10 de Março, concentrados junto ao Hospital Garcia de Orta (HGO), a reivindicarem a regularização da progressão da carreira e da avaliação de desempenho, o pagamento do banco de horas e de retroactivos, e mais contratações

Os enfermeiros decretaram uma greve de 24 horas para hoje face “à total ausência de soluções” por parte do Conselho de Administração (CA) da ULSAS e aos “atrasos incompreensíveis, há mais de um ano, na aplicação das progressões”.

A ULSAS agrega o Hospital Garcia de Orta e todas as unidades prestadoras de cuidados de saúde primários dos concelhos de Almada e do Seixal.

Em declarações à agência Lusa, Zoraima Prado, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), adiantou que a adesão à greve no HGO era, cerca das 10h30, de 81%, e vários centros de saúde estavam encerrados, remetendo para mais tarde dados concretos. A paralisação pode fazer com que não sejam asseguradas “preparações para os blocos cirúrgicos” e levar ao encerramento de serviços, como “os cuidados primários, os centros de saúde e as consultas”. Os internamentos estão a funcionar com os “serviços mínimos”.

Zoraima Prado disse que os enfermeiros da ULSAS marcaram esta greve e concentração na sequência de uma reunião com o CA, que ocorreu a 2 de Março, no qual este não apresentou qualquer solução para os problemas elencados pelos profissionais. Essa que foi “a gota de água”, principalmente por causa da questão da dívida à ARS.

“Porque tornou-se uma ULS e herdou também as dívidas da ARS”, afirmou a sindicalista, esclarecendo que a administração disse, no passado, que iria saldar aquele valor, mas que, agora, a história é outra.

“[A administração] tinha dito que devia e que ia regularizar [a dívida] e nesta reunião disse que foi criado um grupo de trabalho, que, sem qualquer fundamento, concluiu que não era para pagar”, explica, salientando que esta dívida “comprovadamente existe”. “Os enfermeiros estão cansados do adiar das soluções e esta reunião foi a gota de água, porque não só adiaram soluções, como, ainda por cima, no caso das dívidas da ARS, deram um passo atrás face a compromissos que já tinham adoptado”, sublinha.

“Os problemas prendem-se com questões de progressão que estão ligados à avaliação de desempenho em que se confirmou que o CA tem tido critérios que vão muito além daquilo que nós entendemos que a lei permite e que são arbitrários, passando, por exemplo, enfermeiros com avaliação inferior à frente de outros com avaliação superior”, indicou.

Os enfermeiros pretendem que as quotas sejam aplicadas em cada categoria e não usadas para quem o CA entende e exigem o cumprimento dos prazos e inerente progressão, uma vez que ainda não está finalizado o processo de avaliação de 2023/2024.

Segundo Zoraima Prado, esta situação tem um impacto nas progressões dos enfermeiros.

“Além disto, a ULS tem dívidas no que se refere a trabalho extraordinário realizado, dívidas dos antigos centros de saúdes, da ex-ARS [Administração Regional de Saúde] e retroactivos das progressões e não assume o pagamento”, realçou.

Zoraima Prado alertou, também, para a grave falta de enfermeiros, que deverá agravar-se no período de férias, criticando o facto do CA se recusar a informar acerca das admissões previstas.

“Foi a primeira vez que estivemos com um CA aqui na região que ocultou a informação propositadamente e isto, infelizmente, não nos dá um indicador positivo relativamente ao número de enfermeiros que pretende admitir”, disse.

Segundo o sindicato, o CA mostrou na reunião uma atitude de não resolução.

“Este CA chegou ao limite, por exemplo, de não adoptar uma medida simples de atribuição de um dia de férias a todos os enfermeiros (…) e foi um não perentório”, referiu.

Perante a “atitude” do CA, os enfermeiros avançaram para a greve e concentração para exigir soluções efectivas, o pagamento de dívidas e uma atitude de resolução de problemas.

Zoraima Prado garante que se o CA não avançar com soluções para as reivindicações, o sindicato seguirá com novas formas de luta. “Os enfermeiros não vão parar. Estão determinados. Estas soluções têm de ser assumidas pelo CA”, defende.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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