Ponte 25 de Abril celebra 60 anos com programa cultural entre Lisboa e Almada
Iniciativa “Uma Ponte, Duas Margens” arranca a 6 de Agosto com exposições, conferências, passeios pedonais e fluviais nas duas frentes ribeirinhas
A Ponte 25 de Abril, um dos maiores ícones da engenharia europeia e símbolo maior da ligação entre as duas margens do rio Tejo, assinala o seu 60º aniversário com o programa cultural “Uma Ponte, Duas Margens“, criado conjuntamente pelas câmaras municipais de Lisboa e de Almada e pelas Infraestruturas de Portugal (IP).
As comemorações começam no próximo dia 6 de Agosto, a data exacta da inauguração da então Ponte Salazar em 1966, e da sua abertura ao tráfego, com a exibição pública (átrio do Fórum Municipal Romeu Correia, até 26 de Setembro) da sua maqueta original, da autoria de Ticiano Volante. A parte principal do programa realiza-se entre 19 e 27 de Setembro, com iniciativas gratuitas que cruzam a história, a arte e o rio Tejo.
Os entusiastas da engenharia e da história local poderão participar em conferências especializadas, onde especialistas vão discutir o passado, o presente e o futuro da manutenção desta megaestrutura de aço.
Para quem prefere uma viagem visual no tempo, as exposições de fotografia histórica ao ar livre vão espalhar-se junto à margem do rio Tejo, mostrando imagens raras da construção, rostos dos operários e a evolução da paisagem urbana de Almada ao longo das últimas seis décadas.
A celebração estende-se também às águas do Tejo com passeios fluviais em barcos típicos (falua e bote fragata) gratuitos, oferecendo aos passageiros uma perspectiva única a partir da base dos pilares submarinos da ponte. Poderá também inscrever-se em percursos pedonais guiados pela zona ribeirinha, que exploram o impacto visual e social da ponte na malha urbana local.
A fechar o programa, a iniciativa digital “60 anos de histórias e memórias” da IP, continuará a lançar testemunhos em vídeo todas as semanas, imortalizando os relatos de figuras públicas e de cidadãos cujas vidas mudaram após o dia 6 de Agosto de 1966.
As inscrições nalgumas actividades são obrigatórias e limitadas, e poderá inscrever-se a partir de 1 de Setembro, excepto nos passeios de barco cujas inscrições abrem a 18 de Setembro. Para mais informações contacte o Centro de Informação Urbana de Almada através do mail ciua@cm-almada.pt, para as actividades realizadas em Almada, ou o Centro de Informação Urbana de Lisboa ciul@cm-lisboa.pt, para as de Lisboa.
Consulte o programa completo aqui.

Um pouco de História
A primeira apresentação escrita de um projecto para a construção de uma ponte no local data de 1876. No ano de 1953 foi nomeada uma comissão, para estudar o assunto, tendo sido aberto um concurso internacional em 1959. O início da construção deu-se em 5 de Novembro de 1962, com um prazo previsto de 51 meses (1967).
Inaugurada a 6 de Agosto de 1966 como Ponte Salazar e rebaptizada após a Revolução de 25 de Abril de 1974, a obra fixou-se como um dos maiores marcos de engenharia do século XX, e transformou de forma decisiva a mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa (AML). À data, era a maior ponte suspensa da Europa, e ainda mantém esse estatuto (terceira no mundo) entre as pontes rodoferroviárias com maior vão suspenso. A travessia ferroviária foi inaugurada em 1999. É cruzada diariamente, segundo dados da IP, por cerca de 300 mil pessoas, 150 mil veículos e 174 comboios (Fertagus e Linha do Sul).
A ponte foi solenemente inaugurada pelo Presidente da República, Américo Tomás, sob a bênção do Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, com a presença do Presidente do Conselho de Ministros, Oliveira Salazar. No dia 28 de Abril de 1974, terá sido o 1º Comité de Acção Popular, chefiado pelo Coronel Varela Gomes, que arrancou as letras em bronze e inscreveu o nome de Ponte 25 de Abril.
O projecto da Ponte 25 de Abril foi da autoria do gabinete de engenharia norte-americano Steinman, Boynton, Gronquist & London, com a colaboração do Gabinete da Ponte sobre o Tejo e do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC). A construção ficou a cargo da United States Steel Export Company, divisão da United States Steel Corporation, de Pittsburgh. O aço veio quase todo dos Estados Unidos. Durante o projecto e construção era chamada Ponte sobre o Tejo.
Construída em menos de quatro anos, e concluída seis meses antes do prazo estipulado, fixou recordes mundiais e europeus com números que ainda hoje impressionam: 2.500 operários de 14 empresas de construção civil trabalharam em simultâneo no pico da construção; 72.600 toneladas de aço foram moldadas e instaladas na estrutura; 300.000 metros cúbicos de betão serviram para erguer os viadutos e os pilares; 80 metros de profundidade abaixo do nível da água tem o pilar sul; 190,5 metros de altura acima da linha de água é quanto têm as duas torres principais; 74.200 quilómetros de fio de aço compõem o interior dos pesados cabos de suspensão; e 2.277 metros é a extensão total do tabuleiro que se encontra a 70 metros acima do nível da água. Na construção das fundações das duas torres foi necessário atravessar uma camada de água com 32,5 metros de altura, uma camada de lodo com a espessura de 30 metros e, finalmente, uma camada de 20 metros de areias e pedras soltas.
Oficialmente o regime admitiu apenas quatro mortes. Estudos posteriores e testemunhos apontam para pelo menos 20 trabalhadores que perderam a vida, principalmente devido a quedas, acidentes com maquinaria e falta de condições de segurança.
Antes de 1966, a ligação à capital dependia exclusivamente dos cacilheiros. A inauguração da ponte funcionou como o maior motor de transformação territorial da Margem Sul. Atraídas por habitação mais acessível do que em Lisboa, dezenas de milhares de pessoas fixaram-se no concelho de Almada, que viu a sua população explodir, passando de cerca de 70 mil habitantes na década de 1960 para mais de 170 mil nas décadas seguintes, transformando campos e quintas agrícolas numa cidade fortemente ligada ao sector industrial.
“Mais do que uma ligação entre margens, esta infraestrutura tornou-se um símbolo de progresso, liberdade, engenharia e coesão territorial, assumindo-se como uma das imagens mais reconhecidas de Portugal no mundo.”, sublinha a IP em comunicado.
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