Ser Mulher, antes e depois do 25 de Abril
Exposição convida a reflectir sobre as lutas e conquistas das mulheres
De 21 a 28 de Abril o Almada Forum recebe, na Praça da Natureza, no piso 0, a exposição “Ser Mulher, antes e depois do 25 de Abril”, em colaboração com a Câmara Municipal de Almada (CMA), com o MDM – Movimento Democrático das Mulheres e a UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta.
A exposição “Ser Mulher, antes e depois do 25 de Abril” é um registo histórico que retrata o dia a dia, as lutas e as conquistas das mulheres em Portugal. O 25 de Abril marcou uma viragem crucial a nível político, social e cultural na história de Portugal. No ano em que se comemoram os 50 anos da Revolução dos Cravos, esta exposição pretende realçar e celebrar uma vez mais, a importância que teve para o nosso país e para os direitos das mulheres.
O restabelecimento das liberdades de expressão, pensamento e associação trazidas pelo 25 de Abril, desempenhou um papel nuclear na conquista dos direitos femininos, negados pela ditadura. A mulher conquistou espaços de intervenção e participou nos grandes debates e confrontos suscitados pelo período revolucionário. O 25 de Abril deu voz às mulheres nas greves, nas manifestações, nos sindicatos, nas assembleias de trabalhadores.
A ditadura procurou sempre instrumentalizar a diferença entre os sexos em favor de determinados estereótipos, confinando a mulher às funções domésticas e familiares. Esta reafirmação da diferença definiu e acentuou-lhe o estatuto subalterno de esposa atenta e mãe sacrificada. O trabalho feminino fora de casa não era apreciado porque perturbava a coesão familiar. A submissão em relação ao homem, ao qual devia obediência, figurava na lei, que era discriminatória A Obra das Mães pela Educação Nacional e a Mocidade Portuguesa Feminina desempenharam essa função de formatação ideológica.
Antes da revolução de Abril, uma mulher casada não podia viajar para outros países sem autorização do marido; as mulheres não votavam; não podiam sair à rua sem estarem acompanhadas por um homem depois das 22h; estavam proibidas de exercer várias profissõe como a magistratura, a carreira administrativa local e a carreira diplomática; as hospedeiras, professora, enfermeiras e telefonistas não se podiam casar; as mulheres não tinham direito ao divórcio; não havia direito ao aborto; não existia direito à protecção na gravidez e no pós-parto; não havia período de maternidade na legislação laboral; entre muitas outras coisas, que hoje são dadas por adquiridas à nascença. O Código Penal português consagrava os “crimes de honra”, permitindo que um marido ou pai matasse a mulher ou as filhas menores de 21 adúlteras.
Décadas de isolamento ao exterior atrasaram em Portugal os movimentos feministas europeus. Actualmente ainda muito está por realizar, sobretudo a nível salarial e de violência doméstica, mas o que foi conquistado foi-o depois da revolução. Houve mesmo o que muitos apelidam de uma “revolução feminina” que aconteceu com o 25 de Abril.
Esta exposição convida a reflectir sobre a diferença entre os dois períodos da história, a reconhecer o papel das mulheres na construção de uma sociedade mais justa e o seu papel na revolução dos cravos.
A exposição está inserida nas Comemorações do Dia Internacional das Mulheres e associada às Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril.
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