Trafaria | Cavalos-marinhos resgatados em 2022 regressam a casa

Foi feita a devolução ao estuário do Tejo de 19 exemplares

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O núcleo populacional de cavalos-marinhos que em Março de 2022 tinha sido recolhido na zona da baía da Trafaria, na sequência do colapso de um dos pontões da localidade e, fora acolhido no Oceanário de Lisboa, foi devolvido ao seu habitat natural, foi hoje anunciado pelo ICNF.

A acção, que decorreu no passado dia 31 de Outubro, um ano e sete meses depois do seu resgate, foi coordenada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), envolvendo o Oceanário de Lisboa, o MARE, devidamente licenciados para a translocação dos cavalos-marinhos e, a Câmara Municipal de Almada (CMA).

A já referida intervenção de 2022, permitiu recolher 5 marinhas (Syngnathus acus) e 23 cavalos-marinhos, das duas espécies ocorrentes em Portugal (4 cavalos-marinhos comuns, Hippocampus hippocampus, e 19 cavalos-marinhos-de-focinho-comprido, Hippocampus guttulatus). As marinhas, que entretanto se haviam reproduzido, permitiram devolver mais de 100 indivíduos no passado mês de Março. 

A devolução de 19 cavalos-marinhos foi feita em mergulho. Quatro não sobreviveram à sua estadia no Oceanário de Lisboa, o que não é de estranhar, dado que “o ciclo de vida destes animais é relativamente curto”, disse Rui Pombo, director regional de Lisboa e Vale do Tejo do ICNF, ao jornal Público. “Apesar de ainda se saber muito pouco, a idade destes organismos pode ir até aos 5 anos (6 em cativeiro) e, não tínhamos a informação da idade de cada um dos indivíduos capturados”, acrescentou, justificando assim as perdas que ocorreram. Os restantes vão agora continuar a ser monitorizados pelas equipas que os acompanham desde o ano passado. O ICNF prefere não revelar o local exacto onde foram agora libertados os cavalos-marinhos recolhidos no ano passado, com Rui Pombo a dizer apenas que foi “no estuário do Tejo e no concelho de Almada”, num habitat “com a mesma tipologia” do anterior.

Decidiu-se pela recolha destes animais, com a ajuda do MARE-ISPA e sob coordenação do ICNF, uma vez que se encontravam em risco devido ao possível afundamento do que restava da estrutura do pontão. Os cavalos-marinhos foram acolhidos pelo Oceanário de Lisboa, onde permaneceram até serem agora libertados. Antes da libertação, foi retirada uma rede fantasma e estão previstas várias acções de limpeza para breve. 

A possibilidade de existir esta colónia de cavalos-marinhos na Trafaria foi transmitida ao ICNF em 2021, por pescadores que usavam aquele local. Agora, com o apoio da Câmara de Almada, está a ser “explorada” toda a costa do concelho, para identificar outras colónias, verificar o estado dos seus habitats e avaliar que medidas podem ser implementadas para os melhorar. “O estudo está a decorrer e não existem resultados definitivos, mas há algumas notícias interessantes. Digamos que existe potencial para ocorrência de outros núcleos”, adianta, Rui Pombo.

As espécies Hippocampus hippocampus e Hippocampus guttulatus têm graves problemas de conservação, necessitando de medidas de protecção específicas e urgentes. Em Portugal, os cavalos-marinhos têm um estatuto especial de protecção da espécie e do seu habitat desde Maio de 2021, que faz parte de um decreto-lei que define o regime jurídico de protecção de espécies enumeradas nas convenções de Berna e de Bona. Estão tambémlistadas nos anexos da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção) e no Regulamento Comunitário, que aplica essa convenção na União Europeia.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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