Cacilhas | Edificado interditado no Ginjal vai ser demolido
Edifícios encontram-se em risco de derrocada nas suas fundações devido a erosão da água do Tejo
Um silêncio ensurdecedor por parte da vereação recebeu a notícia por parte da presidente da Câmara Municipal de Almada (CMA), Inês de Medeiros, durante a reunião municipal de 21 de Abril. A totalidade, ou parte do edificado actualmente em perigo de ruir no Cais do Ginjal será demolida pelos proprietários, e nem as fachadas se poderão salvar e requalificar. Décadas de abandono, por várias entidades responsáveis e executivos municipais, ditaram o seu fim já há muito anunciado e à vista de todos os que por lá passavam.
A autarca do PS fez o ponto de situação sobre parte da frente ribeirinha de Cacilhas declarando que “os arranjos que têm sido feitos até agora já não são possíveis porque uma coisa é tapar o buraco por cima, o problema é que a água já está debaixo dos edifícios, e há o perigo de haver uma derrocada.” Inês de Medeiros acrescentou ainda que “o estado de degradação do cais não vai lá com tapa buracos, e daí termos de tomar uma posição mais drástica.”
Assim, os proprietários do edificado, neste caso o grupo madeirense AFA – que em 1999 iniciou a aquisição de vários imóveis, parcelas de terrenos e edifícios em ruínas a mais de 20 proprietários diferentes – irá proceder à sua demolição.
“A sustentação das fachadas, que era uma possibilidade, não é possível neste momento sem que haja a consolidação estrutural do cais, prevista no plano de pormenor e deve ser feita de acordo com o mesmo, não apenas a consolidação mas também o alargamento do cais para fazer um passeio público.”, disse ainda Inês de Medeiros
“O grupo AFA vai iniciar e proceder á demolição da totalidade ou parte daquelas fachadas. Dito isto, há um plano de pormenor que está em vigor e o que for demolido deverá ser reconstruído em função daquilo que está em vigor.”, explicou a presidente da CMA, não adiantando uma data para as obras de demolição começarem.
O Plano de Pormenor do Cais do Ginjal (PPCG), foi aprovado por unanimidade em reunião municipal de 2 de Novembro de 2020, mas nunca foi implementado devido a disputas legais entre a Administração do Porto de Lisboa (APL) e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), cujos recursos ainda decorrem.
Inês de Medeiros relembrou que dada a urgência e segurança a obra tem de ser feita, e “que deve tão breve quanto possível voltar a garantir um acesso entre Cacilhas e antes da Arealva.”
A presidente da CMA foi peremptória ao afirmar que “se houver qualquer vítima devido a isto, serei a primeira, nem que seja pessoalmente, a por o estado em tribunal, e todas estas entidades em tribunal, que são legalmente e moralmente responsáveis, por tudo o que andam a não fazer e a impedir de fazer, em nome não sei do quê.”
Neste momento o grupo AFA encontra-se a terminar um plano de gestão de resíduos, devido ao amianto ainda existente no local; a CMA irá proceder à requalificação da escada que liga o Miradouro da Boca do Vento aos estabelecimentos de restauração do cais; a protecção civil irá fazer o levantamento dos bens pertencentes aos moradores que ficaram nos edifícios; e o grupo AFA guardará esses bens até que os moradores deles necessitem. Os ex-moradores do Ginjal encontram-se alojados em soluções temporárias, em hostels, sendo que alguns preenchem os requisitos para concorrerem ao Porta de Entrada, com o apoio às candidaturas assegurada pela CMA.
A Transtejo disponibilizou um armazém que lhe pertence e estava practicamente desactivado em Cacilhas, para que os pescadores pudessem lá sediar-se, pois estavam impossibilitados de aceder ao espaço onde guardam os aprestos e tudo o que necessitam para a pesca.
O cais do Ginjal, encontra-se interditado à circulação por motivos de segurança nos termos da Lei de Bases da Protecção Civil desde 3 de Abril, data em que foi declarado o estado de alerta. Posteriormente, dia 10 do corrente mês, foi fechado com dois portões, desde a proximidade do terminal fluvial de Cacilhas até perto dos dois restaurantes próximos ao Elevador do Vento. No mesmo dia os serviços da CMA procederam à retirada de 33 pessoas (19 agregados) que habitavam o espaço agora vedado, para uma Zona de Concentração e Apoio à População temporário (ZCAP), criado pela Proteção Civil na EBS Anselmo de Andrade. Dia 15 a ZCAP foi desactivada tendo sido encontrada uma solução de alojamento temporária para os ex-moradores do cais.
O cais do Ginjal tal como todos os almadenses o conhecem morreu. Desaparece assim parte icónica, histórica e sentimental do concelho de Almada.
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