25 de Abril de 1974, Quinta-feira
Uma exposição de fotografia do renomeado fotojornalista Alfredo Cunha, que pode ser vista no Museu da Cidade
“25 de Abril de 1974, Quinta-feira” é o nome da exposição do fotojornalista Alfredo Cunha, que a Câmara Municipal de Almada (CMA) inaugura a 11 de Abril, pelas 19h, no Museu de Almada – Casa da Cidade.
Esta exposição, integrada na programação municipal que celebra o cinquentenário do 25 de Abril e a liberdade conquistada em 1974, está organizada em três núcleos que, traduzem a reflexão de Carlos Matos Gomes, militar do Movimento dos Capitães em “Da Guerra à Liberdade”; “A Eternização do Dia 25 de Abril” com o relato de Adelino Gomes, o jornalista suspenso que, conseguindo um microfone emprestado, colocou a Revolução na rádio para conhecimento do povo português e; de Fernando Rosas, activista na clandestinidade e historiador, que reflecte como o movimento se torna uma revolução em “Depois de Abril”.
Através das fotografias de Alfredo Cunha, os visitantes serão transportados para aquele dia histórico, revivendo as emoções e a atmosfera que envolveram a população lisboeta e, também a almadense que desembocava no Terreiro do Paço como um rio, saindo dos cacilheiros para o trabalho, dando de caras com o teatro das operações e as negociações entre os capitães de Abril. Ali se decidiu um golpe militar, que se transformou numa revolução por vontade do povo, forçando a mudança há muito desejada por todos.

“Foi o dia mais feliz da minha vida e, nestes 50 anos, não há dia que não me lembre desse momento que representa o nascimento de uma utopia e da nossa liberdade.”, disse Alfredo Cunha em entrevista ao Expresso, a propósito da exposição, também patente num formato mais alargado de 75 fotografias até dia 23 de Junho, na Galeria Municipal Artur Bual, na Amadora. A exposição foi a primeira iniciativa do programa de celebração desse município, a propósito dos 50 anos da revolução, pois foi o primeiro a ser criado após a ditadura.
Foi também da Falagueira, na Amadora, que o fotógrafo saiu de casa rapidamente, e apanhou o comboio para Lisboa, para fotografar o que se estava a passar depois de ter ouvido na rádio a célebre e irreversível frase: “Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas” lida pelo jornalista Joaquim Furtado, no que seria o primeiro comunicado do MFA. À entrada da galeria está uma chaimite, a primeira que Alfredo Cunha registou em película no 25 de Abril de 1974. O fotojornalista, que tinha na altura 20 anos e era estagiário há um ano no jornal “O Século”, fez nesse dia 40 rolos de 36 fotografias, num total de 1440 fotografias. Acha pouco. “Deveria ter feito 120 rolos.”
No Museu de Almada, através das fotografias de Alfredo Cunha, os visitantes poderão entender o impacto que a guerra colonial teve na sociedade portuguesa e compreender como este contexto bélico culminou na Revolução dos Cravos, que marcou o início de uma nova era para Portugal e para os portugueses.
As 56 fotografias expostas, confrontam os visitantes com os antecedentes, a sequência hora a hora do dia decisivo, as convulsões de um país em transformação acelerada, de um povo em catarse nas ruas da capital. Recordam também os protagonistas e heróis daquele dia em Lisboa, com o Tejo a unir as duas margens, em que a população contrariou as indicações de segurança dos militares e se juntou a eles nas ruas, surpresa e comovida, apoiando-os, forçando um golpe militar a transformar-se numa revolução popular.
A exposição integra também uma projecção multimédia com música de Rodrigo Leão e realização de Miguel Brugo Rocha, com as fotografias feitas pelo fotógrafo nesse “dia inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio, e livres habitamos a substância do tempo”, como tão bem o caracterizou por palavras Sophia de Mello Breyner.

Patentes estão também reproduções de gravuras que Alexandre Farto / Vhils fez de várias fotografias de Alfredo Cunha, uma delas o retrato do capitão de Abril Salgueiro Maia, considerada inicialmente uma má fotografia, colocada de lado pelo jornal “ O Século”, que decidiu não a publicar. Essa gravura é a capa de um livro com mais de 400 páginas, da Tinta da China, com textos originais de Carlos Matos Gomes, Luís Pedro Nunes, Vicente Jorge Silva, Adelino Gomes, Fernando Rosas, entre outros ilustres portugueses, apresentado dia 24 de Janeiro passado, na sede da CPLP em Lisboa.
“Esse retrato só foi publicado, pela primeira vez, 20 anos depois por causa do jornalista Vicente Jorge Silva – que foi editor do Expresso e fundador e director do Público – que achou que era uma imagem forte e a publicou num editorial a que chamou ‘ Os olhos do Capitão’.”, explica Alfredo Cunha ao Expresso, sobre a fotografia apenas publicada em 1994.
O olhar de um dos fotojornalistas que testemunharam e registaram intensamente os momentos mais marcantes do dia e dos meses que se seguiram à revolução, estará patente de 12 de Abril a 28 de Setembro, e pode ser visitada de Terça a Sábado das 10h às 13h e das 14h às 18h. O preçário pode ser consultado aqui.
O 25 de Abril de 2024 será também, 50 anos depois, a uma Quinta-feira.
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