Caparica | As Armas e o Povo
Um filme do Colectivo dos Trabalhadores da Actividade Cinematográfica, que pode ser visto dia 17 de Abril às 14h, no Auditório da Biblioteca da FCT-NOVA
No dia 1 de Maio de 1974, uma semana após a revolução de 25 de Abril, dez equipas de cinema vieram para a rua com o intuito de cobrir a enorme manifestação que nesse dia teve lugar. Tratava-se do primeiro 1 de Maio comemorado em liberdade desde há muito, que funcionou também como confirmação, se tal era ainda preciso, do sucesso do golpe que derrubara 48 anos de ditadura.
A iniciativa do filme partiu do Sindicato Nacional de Profissionais de Cinema, que solicitou ao Instituto Português do Cinema a criação de possibilidades que permitissem a essas tais dez equipas fazer um trabalho cuja importância histórica se afigurava inegável. Uma olhadela pela ficha técnica mostra imediatamente o poder mobilizador que a ideia exerceu, tal é quantidade de realizadores de renome do cinema português da época. A todos esses nomes portugueses juntou-se ainda o de Glauber Rocha, como que atestando o impacto e o interesse alcançados pela revolução portuguesa a nível internacional.
“As Armas e o Povo” foi o filme que resultou dessa conjunção de esforços. Num filme com estas características, a montagem adquire um papel fundamental, uma vez que à diversidade das imagens recolhidas é preciso impor uma estrutura organizativa unificadora, tarefa ainda mais importante quando se trata de um filme rodado sem qualquer espécie de guião. “As Armas e o Povo” não estava ainda decidido nem determinado, no momento em que as câmaras pararam. Com o material filmado, as hipóteses de estruturação eram mais que muitas, e com ele diversos “As Armas e o Povo” poderiam ter sido concebidos.
Optou-se então por conjugar o material recolhido nesse 1° de Maio com outras imagens referentes aos acontecimentos do dia 25 de Abril anterior, utilizadas também como suporte de uma voz “off” que assegura a narração e a “explicação” da situação que se vivia antes do golpe de estado, seguido de revolução, e dos novos rumos que agora se abriam.
Podem-se considerar três elementos fundamentais na estrutura de “As Armas e o Povo”: uma “retrospectiva” dos acontecimentos de 25 de Abril; o registo da manifestação do 1° de Maio; e as entrevistas feitas por Glauber Rocha durante essa manifestação. É da articulação entre estas três “fontes” que, finalmente, nasce o filme.

Ficha Técnica
Título original: As Armas e o Povo
Realização: Trabalhadores da Actividade Cinematográfica
Colaboração na realização: Acácio de Almeida, José de Sá Caetano, José Fonseca e Costa, Eduardo Geada, António Escudeiro, Fernando Lopes, António de Macedo, João Moedas Miguel, Glauber Rocha, Elso Roque, Alberto Seixas Santos, Artur Semedo, Fernando Matos Silva, João Matos Silva, Manuel Costa e Silva, Luís Galvão Teles, António da Cunha Telles, António-Pedro Vasconcelos
Produção: Sindicato dos Trabalhadores da Produção de Cinema e Televisão
Edição: Monique Rutler
Género: Documentário
Origem: Portugal
Ano: 1975
Duração: 80 min.
Classificação: M/12

