Utentes da Ponte 25 de Abril preparam petição para a AR contra resultado das obras no IC20

As filas no túnel e viaduto são agora uma constante a qualquer hora do dia. Acessos para Setúbal, Alcochete, Montijo e Barreiro muito piores.

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A Associação de Utentes da Ponte 25 de Abril vai apresentar uma petição na Assembleia da República (AR) que exige a reavaliação das obras de alargamento realizadas no Itenerário Complementar 20 (IC20), alegando que, no global, a circulação piorou após as intervenções.

“Vamos reunir as assinaturas necessárias, como é evidente, para que esta matéria seja discutida na Assembleia da República, com a finalidade de que as obras sejam reavaliadas. Que façam ajustes”, disse à agência Lusa o presidente da Associação de Utentes da Ponte 25 de Abril, Aristides Teixeira.

Em causa está a intervenção realizada no IC20, que liga Almada à Costa da Caparica, sendo que as obras foram dadas por concluídas a 2 de Junho, após 20 meses de trabalhos.

A intervenção consistiu no alargamento de três para quatro vias em cada sentido, entre o Centro Sul e a Faculdade de Ciências e Tecnologia (NOVA FCT), situada no Monte da Caparica, numa extensão de 3,9 quilómetros.

Agora, quem se desloca da Costa da Caparica em direcção a Lisboa tem disponível um túnel e um viaduto, que garantem o acesso directo à zona do denominado ‘garrafão’ da Ponte 25 de Abril.

No entanto, no entender dos utentes da ponte, a circulação rodoviária no local ficou “pior” e tornou-se uma “verdadeira odisseia”, sobretudo para os automobilistas que pretendem vir para Lisboa ou para outros destinos da margem sul do Tejo, como Setúbal, Alcochete, Montijo ou Barreiro.

“O traçado e a via para quem se dirige para Almada está perfeito. Agora, o que seria dispensável era que, para que isso funcionasse, prejudicassem quem circula e quer entrar para o desvio para Setúbal, para Alcochete, para o Montijo, para o Barreiro, que é obrigado a fazer uma circulação labiríntica para finalmente conseguir entrar na autoestrada”, alertou Teixeira.

Aristides Teixeira referiu, ainda, que o novo traçado tem provocado longas filas nas horas de ponta e agravado o consumo de combustível. As filas têm-se também registado fora destas horas, sendo quase inevitáveis.

Com a proximidade das eleições autárquicas, o representante dos utentes deixou também o apelo para que os eleitores não votem nos candidatos que “não condenem” o pagamento de portagens na Ponte 25 de Abril e o resultado destas obras.

“Não merecem o nosso voto e, portanto, devemos, perante isso, votar em branco, manifestando assim o nosso repúdio pela situação que está a atingir-nos gravemente”, argumentou.

O IC20 registou anualmente um tráfego médio diário superior a 60 mil veículos no troço intervencionado, sendo este o motivo contratual para que as obras se realizassem.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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