Urgência Regional da Península de Setúbal arrancou hoje
Segunda Urgência Regional do país entrou em funcionamento a 15 de Abril às 8h30
O Hospital Garcia de Orta (HGO), começou hoje, 15 de Abril, a funcionar como urgência regional de ginecologia e obstetrícia da Península de Setúbal. Entre as 8h30 e as 10h30 da manhã, deram entrada sete utentes, duas delas oriundas da área de influência do Barreiro. A informação foi transmitida em conferência de imprensa por Ana Luísa Broa, directora clínica para a área dos cuidados de saúde hospitalares da Unidade Local de Saúde (ULS) Almada-Seixal.
“Sabemos que está a ser um dia relativamente tranquilo”, afirmou Ana Luísa Broa, que partilhou a mesa com os directores clínicos da ULS Arco Ribeirinho (Barreiro), Elisabete Gonçalves, e da ULS Arrábida (Setúbal), Nuno Marques. A responsável adiantou que, até às 10h30, apenas duas das sete admissões pertenciam à área do Barreiro, ou seja, à ULS Arco Ribeirinho.
Nesta fase inicial, a equipa é composta maioritariamente – cerca de 80% – por profissionais da ULS Almada-Seixal e da ULS Arco Ribeirinho. Ana Luísa Broa sublinhou que o grupo está “a adaptar-se de forma a colaborar entre si para que funcione de forma muito organizada no futuro”. E acrescentou: “O que é importante é que as equipas sejam dotadas de forma segura.”
A responsável explicou que, todas as semanas, pelo menos um dia será assegurado por médicos do Barreiro – tanto especialistas como internos – e que enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica vão colaborar de uma forma “até mais próxima”. O essencial, repetiu, é que o número de profissionais seja suficiente para prestar cuidados seguros.
Esta urgência regional é a segunda do país no âmbito do novo modelo, depois da experiência iniciada a 16 de Março no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures. A medida surge para responder à carência de profissionais de saúde na especialidade, um problema que tem afetado vários hospitais do país.
O funcionamento está dividido em dois polos: um no HGO, que assume o papel de hospital-sede com apoio perinatal diferenciado, e outro no Hospital de São Bernardo, em Setúbal. Este último assegura o serviço de urgência para a população da sua área de influência, que abrange Setúbal, Alcácer do Sal, Grândola, Palmela, Santiago do Cacém, Sesimbra e Sines.
Já a urgência do hospital do Barreiro – cuja área cobre os concelhos do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete – encerra. A Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde garantiu, no entanto, que a maternidade daquela unidade vai continuar a funcionar. A decisão tem gerado contestação por parte de autarcas e representantes dos utentes, à semelhança do que já acontecera no caso de Loures.
Comissões de Utentes contra novo modelo
As comissões de utentes do distrito de Setúbal, reuniram-se no passado dia 11 de Abril, no Encontro Regional de Comissões e Associações de Utentes da Península de Setúbal, sob o lema: Melhores Serviços Públicos – Mais Qualidade de Vida! Entre outros temas foi também debatido o acesso aos cuidados de saúde, e mais especificamente aos serviços de urgência de obstetrícia,
Do encontro resultou um Manifesto subscrito por 12 organizações de utentes dos serviços públicos, onde alertam “para uma degradação acentuada dos serviços prestados às populações”. Nele também pode ler-se que a “falta de resposta adequada de cuidados de Saúde na Península de Setúbal (que tem o PIB per capita mais baixo de Portugal), não só agrava desigualdades, como compromete a confiança da população no Serviço Nacional de Saúde”.
Alertam ainda “para a mortalidade infantil na Península de Setúbal, superior à média nacional, e os partos realizados em ambulâncias, devido ao reencaminhamento das grávidas para o Hospital Garcia de Orta e para hospitais da Grande Lisboa”.
As comissões estão contra a centralização das urgências de ginecologia e obstetrícia e o seu encerramento no hispital do Barreiro, que afirmam que “tem tido um papel fundamental na prestação de cuidados às mulheres da região, e o encerramento das suas urgências compromete a segurança da resposta materno-infantil.”
“O encerramento das suas Urgências, além de incompreensível e injustificável, irá agravar os actuais constrangimentos existentes e sobrecarregar desmesuradamente a Urgência de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Garcia de Orta, onde serão concentradas, e potenciar as condições para que os partos possam ocorrer, ainda com mais frequência, fora de um ambiente hospitalar seguro e necessário, em caso de intercorrências, devido à distância entre os concelhos servidos pelo Hospital do Barreiro e o Hospital Garcia de Orta.”, especificam.
As comissões de Utentes da Península têm reivindicado a construção do Hospital do Seixal, a reactivação do Hospital do Montijo e a construção de unidades de saúde de cuidados primários necessários às populações, em todos os concelhos.
São a favor do investimento no serviço público de saúde, dotando os centros de saúde e os Hospitais da Península de Setúbal dos meios financeiros, humanos e materiais necessários para responder às necessidades da população. Este investimento é nas suas conclusões do encontro, “não só ao nível da sua modernização mas, essencialmente, dos recursos humanos de que carece cada vez mais.”
Afirmam que esta concentração das urgências é “a privatização do serviço público. Enquanto se apregoa o “caos” no SNS, cresce a oferta privada de camas e serviços. Com o crescimento exponencial da oferta privada, começam já a aumentar o preço dos seguros e a diminuição dos serviços convencionados.
Terminam afirmando que “só o Serviço Nacional de Saúde pode garantir aos portugueses serviços de qualidade, de acesso universal e tendencialmente gratuitos (…). A luta crescente dos médicos aponta o caminho para reverter o actual quadro: a reposição da jornada de trabalho de 35 horas, a actualização da grelha salarial, a melhoria das condições de trabalho e carreira, incluindo a integração dos internos na carreira, e o respeito pelos dias de descanso e horários, sem perda de direitos”. Os médicos também exigem a melhoria da qualidade dos serviços de saúde, a valorização dos cuidados de saúde primários, a suspensão da municipalização e a realização de concursos nacionais para a contratação de médicos. As comissões de utentes defendem que “sem atender às reivindicações dos profissionais, não é possível inverter o caminho de destruição do SNS.”
O manifesto será entregue à Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, na próxima Sexta-Feira, 17 de Abril, pelas 12h.
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