HGO com urgências de ginecologia e obstetrícia abertas 24h
Sete novos médicos especialistas reforçam o serviço
A urgência de ginecologia e obstetrícia do Hospital Garcia de Orta (HGO), está a funcionar em pleno desde a passada Segunda-Feira, 1 de Setembro, garantindo atendimento 24 horas, sete dias por semana, devido ao reforço na sua equipa médica.
O serviço conta agora com sete novos médicos especialistas, que poderão ajudar a colmatar muitos dos constrangimentos que se têm sentido nesta especialidade ao longo dos últimos meses, sobretudo na Península de Setúbal, que obrigava as grávidas a deslocações.
Esta semana as escalas estão garantidas, pois de acordo com a informação sobre os serviços de urgências do portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS), até Domingo, este serviço de obstetrícia e ginecologia estará aberto 24 horas.
Em entrevista à SIC, Ana Paula Martins reconheceu que a Península de Setúbal é a “área mais crítica” na resposta de ginecologia e obstetrícia, admitindo que apesar deste reforço irá levar “algum tempo a conseguir estabilizar a Península de Setúbal”, nessa resposta de cuidados de saúde. “Há uma equipa de especialistas de obstetrícia e ginecologia que se desvinculou do hospital privado onde trabalhava” e que vai assinar um contrato com o SNS, explicou a ministra. Segundo referiu, este conjunto de especialistas vai juntar-se à “equipa que ainda existe” no Garcia de Orta e contará também com os médicos internos, que estão em formação nesta unidade de saúde.
Apesar da ministra da Saúde ter anunciado o reforço de sete profissionais que se encontravam no sector privado, apenas quatro vieram ocupar as vagas carenciadas, que dão direito a incentivos financeiros, sendo que pelo menos duas médicas já prestavam serviço no HGO e optaram por vincular-se à Unidade Local de Saúde de Almada e Seixal (ULSAS).
Os incentivos serão pagos 12 meses por ano durante seis anos, e estão fixados em 40% da remuneração base da primeira posição da categoria de assistente da carreira médica. Também são contempladas outras regalias como as despesas de deslocação e transporte, e incentivos de natureza não pecuniária, como a garantia de transferência escolar dos filhos, a dispensa de serviço até cinco dias quando iniciam funções, o aumento do período de férias em dois dias nos primeiros cinco anos, entre outras. No caso do médico cessar funções por sua iniciativa antes de terem decorrido cinco anos, é obrigado a devolver parte do incentivo.
A par dos incentivos para as vagas carenciadas, o Governo prepara-se para avançar com nova legislação para atrair e reter profissionais nos serviços de ginecologia e obstetrícia. O novo modelo, provém de uma proposta da Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente (CNSMCA), criada em Julho de 2024, presidida pelo médico Alberto Caldas Afonso, que será aplicado nos hospitais com mais constrangimentos e que servem áreas de influência elevada. O HGO será um deles, a par do Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) e do de Vila Franca de Xira.
A ministra da Saúde aposta na criação de um Centro de Responsabilidade Integrada, onde os profissionais serão avaliados e remunerados com base nos resultados. Prevê-se também um modelo regional de urgência, assente na partilha de recursos humanos entre Almada, Barreiro e Setúbal, embora este modelo necessite de legislação própria e negociações com os sindicatos do sector.
O serviço de urgência do Garcia de Orta vai funcionar no regime do projecto-piloto, criado no final de 2024, que estabelece a necessidade de um contacto telefónico prévio com a linha SNS24 (808 24 24 24) antes da deslocação à urgência. Os utentes que se deslocarem pelos seus próprios meios ao hospital, sem referenciação prévia da linha, do centro de saúde ou de outro médico, são convidados a ligar para o SNS24 antes da admissão no serviço.
A urgência de obstetrícia deste hospiral tem sido das mais afectadas pela carência de médicos, tendo nos últimos anos encerrado inúmeras vezes por falta de especialistas em número suficiente para completar as escalas. O problema agrava-se especialmente no Verão e ao fim de semana. Durante o mês de Julho, funcionou apenas 11 dias, em regime rotativo com os outros dois hospitais da Margem Sul, Barreiro e Setúbal.
O Hospital Garcia de Orta iniciou a sua actividade em Setembro de 1991, em substituição do antigo Hospital da Misericórdia de Almada/Hospital Distrital de Almada e, segundo informação oficial, serve actualmente uma população estimada em cerca de 350 mil habitantes dos concelhos de Almada e Seixal, e também de todo o Sul do país em casos específicos, por oferecer serviços e posssuir tecnologia que não existem em mais nenhuma unidade de saúde nesta zona do país.
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