Almada precisa de (D-)Evolução

A WWF Portugal lançou, há uns meses atrás, a Iniciativa D-Evolução, a principal iniciativa de restauro ecológico da organização até 2030. 

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A iniciativa foi apresentada na Casa da Cerca, em Almada, com uma visão clara: mobilizar empresas, instituições e cidadãos para restaurar a natureza em Portugal, devolvendo natureza ao território e criando um impacto ambiental positivo.

A D-Evolução integra uma intervenção no Estuário do Tejo, na zona da Trafaria, que tem uma população de cavalos-marinhos que precisa de proteção. Aí instalaremos abrigos para esta espécie emblemática poder prosperar.

D-Evolução é também uma oportunidade de evoluirmos, de sermos mais conscientes do papel da Natureza enquanto centro de vida individual e comunitária; trata-se de repensar a forma como colocamos a natureza no centro das decisões políticas, comunitárias e individuais e a forma como evoluímos enquanto cidadãos e sociedade. 

Restaurar ecossistemas é hoje uma necessidade e uma oportunidade estratégica para aumentar resiliência, valorizar ativos naturais e construir futuro. É evolução dos territórios e das paisagens.

Vivemos um momento decisivo no concelho de Almada. A perda de biodiversidade e as alterações climáticas afetam as nossas paisagens, comunidades e cadeias de valor como nunca antes. Afetam, sobretudo, a disponibilidade de recursos, como a água, que escasseia em vários pontos deste concelho. 

Numa gestão própria de terceiro mundo, falta água nas torneiras de casa dos munícipes (que pagam impostos) por vários dias, falta água para as atividades económicas chave – restauração, hotelaria, comércio (e todo o demais tecido empresarial do concelho é afetado). Almada é, por estes dias, a imagem de um concelho de terceiro mundo, incapaz de resolver os desafios das alterações do clima e da perda de biodiversidade, um executivo que não ouve a ciência nem os especialistas, incapaz de responder com planeamento e ação estratégica, que não atrai investimento nem pessoas.

Por cá não se coloca a Natureza no centro das decisões, por cá oferecem-se festivais de música para continuar a esconder o essencial – uma gestão municipal que deixa tanto a desejar. 

Almada precisa de (D-)Evolução, na forma como o executivo planeia e age, na forma de uma plataforma concelhia de ação concreta pela natureza, mensurável e colaborativa. Precisa de governantes que ouçam a ciência e planeiam em conformidade e, assim, antecipem e respondam com eficácia aos desafios, protegendo os cidadãos e os territórios.

Devolver e restaurar a natureza é, na verdade, investir no futuro e também evoluir enquanto sociedade. Porque o futuro deste concelho depende sobretudo do futuro dos recursos naturais, da água, do clima.

Ângela Morgado

Directora Executiva da WWF Portugal (World Wide Fund for Nature). Socióloga. Almadense.

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