Novo aluimento de terras em S. António retira 30 pessoas de casa

Arriba Fóssil está saturada de água e prevêem-se mais derrocadas

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Na madrugada de 17 de Fevereiro, pela 1h15, foi dado o alerta para uma nova derrocada da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, em S. António. Três casas da Rua Duarte Pacheco Pereira foram atingidas, cujos moradores já tinham sido anteriormente evacuados, e 30 pessoas foram retiradas de 17 fracções de prédios contíguos, sendo que 23 ficaram ao cuidado da Câmara Municipal de Almada (CMA), no Parque de Campismo da Fundação Inatel, provisoriamente. As habitações afectadas ficaram parcialmente soterradas.

Esta é a terceira derrocada que ocorre na Arriba Fóssil, devido ao “comboio de tempestades” que assolaram Portugal nas últimas semanas. Os solos estão saturados de água e a arriba tem o seu próprio movimento, pois é um ser vivo. Francisca Parreira, veradora responsável pelo pelouro da Protecção Civil na CMA, esteve no local e disse que “muito provavelmente haverá novas derrocadas”.

No local estiveram também os Bombeiros Voluntários de Cacilhas (BV Cacilhas), o Serviço Municipal de Protecção Civil (SMTP) de Almada e a Guarda Nacional Republicana (GNR).

Durante a reunião da CMA de dia 16 de Fevereiro, Inês de Medeiros, informou que na sequência das intempéries, 230 pessoas tinham, até então, sido realojadas de emergência pelo município. Admitiu também que “em muitos casos, não será possível o regresso às habitações”, por questões de segurança (caso da Azinhaga do Formozinho e Costa da Caparica), e acrescentou que o município irá criar uma “task force” municipal, multidisciplinar, que fará o acompanhamento de todas as situações decorrentes dos aluimentos de terras no concelho, evacuações e acções futuras. Não foi mencionado quem serão os participantes nesse grupo de trabalho.

A equipa da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCT), com quem a autarquia mantém um protocolo, foi re-activada para a monitorização das arribas, algo que fazem regularmente em conjunto com a CMA desde 2023. A CMA solicitou também assistência ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

Almada tem sofrido várias derrocadas nas suas arribas e vertentes, sendo a mais preocupante a da Azinhaga dos Formozinhos, que levou à evacuação total de emergência da localidade. Porto Brandão também foi totalmente evacuado, com a participação da Transtejo-Soflusa (TTSL), na retirada de veículos e bens dos moradores.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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