Rádios Radar e Oxigénio afectadas na emissão FM por puxadas eléctricas em Penajóia

Emissões foram restabelecidas, mas o problema é frequente desde 2024

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De Domingo a Terça-Feira passada, entre 10 e 12 de Maio, as rádios Radar e Oxigénio ficaram impedidas de transmitir em FM, fruto das puxadas ilegais feitas por moradores do Bairro de Penajóia, que roubam a electricidade da sua antena. Este é um problema que se arrasta há dois anos e que causa frequentes sobrecargas e cortes no abastecimento de electricidade, afectando o sinal das duas rádios.

Neste momento a emissão já se encontra restabelecida, mas durante mais de 48h tal só foi possível nas aplicações para telemóvel e no site das rádios. As suas sedes são na zona da Grande Lisboa, mas transmitem a partir de Almada. Perto da antena está o Bairro da Penajoia, motivo apontado para as sucessivas falhas na emissão.

Os problemas começaram em 2024. Ao terreno vão sempre equipas que tentam descobrir onde estão as novas puxadas ilegais. Os cabos que foram enterrados pela E-Redes, como solução para as faltas constantes de electricidade no Bairro do Matadouro, foram cortados e roubados.

A emissão comprometida frequentemente, não é a única preocupação das rádios. Sem uma solução efectiva por parte das entidades, temem pelo futuro e pela sustentabilidade das empresas.

“Para além de prejudicar a sustentabilidade destas estações, através da perda de publicidade e de patrocínios, a situação impede locutores, jornalistas e colaboradores de chegar ao público pela via do tradicional FM e impossibilita-nos de cumprir o serviço a que nos propusemos: a divulgação de bandas e projectos que, especialmente nestes nichos de música alternativa e electrónica, vêem as rádios como um veículo importante”, pode ler-se no site de ambas as rádios.

Em resposta à agência Lusa, Ricardo Guerra, director de ambas as rádios, explicou que a E-Redes esteve no terreno desde Segunda-feira. Queixou-se ainda de “uma total ausência de resposta por parte da Câmara Municipal de Almada”, apesar dos esforços, “bem como do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), a quem pertencem os terrenos onde se instalou o bairro de Penajóia”.

Questionado sobre se esta situação coloca em causa a sobrevivência das rádios, Ricardo Guerra disse que a “médio prazo sim”, porque “sem FM não há investimento, e sem o mesmo os projectos deixam de ser viáveis”. Indicou ainda que trabalham 11 pessoas nas emissoras.

“Esta é também uma situação que compromete a segurança pública”, na opinião do locutor Pedro Moreira Dias, em declarações à Sic Notícias, “uma vez que o emissor sem energia fica sem sinalização aeronáutica, numa localização próxima do Hospital Garcia de Orta (HGO) e da rota de chegada dos aviões ao Aeroporto de Lisboa”.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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