Robert Wilson e Lucinda Childs de regresso ao Festival de Almada
Companhia de Teatro de Almada apresentou primeiras novidades no Dia Mundial do Teatro
No Dia Mundial do Teatro, 27 de Março, a Companhia de Teatro de Almada (CTA) colocou à venda as assinaturas para o 41º Festival de Almada, que irá decorrer entre 4 e 18 de Julho. Foram também anunciadas quatro propostas da sua programação.
A edição de 2024 irá contar com 19 espectáculos de teatro e dança, dos quais 11 são criações internacionais e oito criações nacionais, que serão apresentados em oito palcos de Almada (Teatro Municipal Joaquim Benite, Escola D. António da Costa, Fórum Romeu Correia, Incrível Almadense, Academia Almadense) e Lisboa (Centro Cultural de Belém).
Os espectáculos anunciados para este ano foram Jogging, um solo da actriz e encenadora libanesa Hanane Hajj Ali, escolhido pelo público no festival do anopassado que regressa este ano como Espectáculo de Honra, indo à cena de 5 a 7 de Julho, na Incrível Almadense. A peça questiona como pode uma mãe matar um filho para aliviar o seu sofrimento, enquanto descreve um país corrupto. Partindo do mito de Medeia, esta criadora aborda a condição feminina no Líbano, a sua terra natal, revelando que “a censura jamais autorizaria a representação desta peça nas salas de teatro convencionais do meu país, devido aos temas polémicos que levanta”.
Sans Tambour, uma criação do mítico teatro de Peter Brook – o Théâtre des Bouffes du Nord com encenação de Samuel Achache, é representada a 9 e 10 de Julho, no Teatro Municipal Joaquim Benite. A peça conta a derrocada de uma casa que apanha os seus habitantes de surpresa, cruzando a narrativa com o Lied de Schumann. Apresentado no Festival d’Avignon 2022, revelou-se desde logo como o espectáculo sensação do certame. O Le Monde saudou “a disposição um tanto desvairada que reina nesta peça”, concluindo que o encenador francês Samuel Achache “inventa relações inauditas entre o teatro e a música, com uma graça e um humor fora de série”. Os intérpretes de Sans Tambour versam sobre o amor, sobretudo sobre o seu fim e, acto contínuo, a casa em que essas relações fenecem vem literalmente abaixo. Quem disse que as paixões inconciliáveis não podem ser divertidas?

Além da dor, de Alexander Zeldin, com encenação de Rodrigo Francisco vai a cena de 5 a 17 de Julho, no TMJB. Esta foi uma peça nomeada para um Globo de Ouro e, vencedora do prémio de Melhor Espectáculo do Ano, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). A peça foi estreada em Março de 2022 pela CTA. Durante a sua carreira o Jornal de Letras detacou que “Rodrigo Francisco dirigiu com minúcia e eficácia um pequeno grupo de actores”. Na peça é contada a história de quatro trabalhadores de limpezas numa fábrica de processamento de carne. São precários, em toda a acepção da palavra. Não podem tirar um dia de folga para cuidar de uma filha doente. Nao têm condições para recusar os turnos nocturnos que mais ninguém quer. São as peças descartáveis de um capitalismo sem rosto.
Relative Calm, do cenógrafo, escultor e dramaturgo norte- americano Robert Wilson e da corógrafa Lucinda Childs, é o grande destaque da edição de 2024 e, terá duas apresentações no CCB, a 12 e 13 de Julho. A dupla regressa ao Festival de Almada depois dos êxitos de Mary said what she said (2019) e I was sitting on my pátio (2023), com outro espectáculo de grandiosidade minimalista e iluminação sublime. Concebida pela primeira vez em 1981, Relative Calm foi recriada em 2021 pelos artistas durante a pandemia de covid-19, em Toulouse, França. Visitando ambientes musicais tão distintos quanto os de Jon Gibson (Rrise), lgor Stravinsky (Pulcinela suite), e John Adams (Light over water), em Relative Calm da dupla Wilson/Childs cria uma verdadeira máquina hipnótica assente no movimento, no som, na imagem e na luz, consonando uma súmula perfeita do espaço e do tempo. Os extraodinários intérpretes do colectivo de danca MP3 Project, dirigidos por Michele Pogliani, revelam-se exímios na inaudita tarefa de fundir o universo da dança pós-moderna norte-americana com o dos ballets russes. Sobre a sua já longa colaboração com Lucinda Childs, Robert Wilson revela que “sempre partilhámos a mesma noção de tempo e de estrutura de uma criação, o que é muito raro: nunca precisamos de falar muito, visto pensarmos da mesma forma”.
“Em 2024 o Festival de Almada volta a programar um alargado conjunto de espectáculos representativos das distintas tendências das artes de palco modernas. A arte dramática e, também as suas contaminações pela dança e pela música, volta a protagonizar o encontro entre os criadores e o público, nos quinze dias da temporada teatral portuguesa.”, pode ler-se no comunicado da CTA.
A apresentação da programação completa acontece a 14 de Junho às 21h, em local ainda por definir.
A assinatura do Festival de Almada dá acesso a assistir a todos os espectáculos, numa das sessões programadas. No Centro Cultural de Belém o acesso dos assinantes está condicionado à lotação da sala. A assinatura tem o preço de 90€ e, se pertencer ao Clube de Amigos do Teatro Municipal Joaquim Benite (TMJB) 72€. A assinatura pode ser adquirida na bilheteira e no site do TMJB, nas lojas FNAC e na Bilheteira Online.
A primeira edição do Festival de Almada, na altura denominada “Festa do Teatro” decorreu em 1984, no Beco dos Tanoeiros em Almada Velha, com espectáculos de grupos amadores do concelho de Almada dirigidos por elementos da CTA. A partir desse ano, a primeira quinzena de Julho transformou o centro histórico de Almada num verdadeiro palco ao livre. Primeiro no Pátio Prior do Crato, depois no Largo da Boca do Vento e na Casa da Cerca. Com realização anual ininterrupta desde o seu início, o Festival criou o Palco Grande, na Escola D. António da Costa, a escassos metros do TMJB, um espaço que passou a ser o coração do festival.
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