Temporada de 2026 da CTA traz a Almada mais de 50 produções
Teatro Municipal Joaquim Benite celebra 20 anos
A Companhia de Teatro de Almada (CTA) apresentou no Sábado passado, 10 de Janeiro, a sua nova temporada. Estão agendados para os palcos do Teatro Municipal Joaquim Benite (TMJB), 14 peças de teatro, 13 espectáculos para o público infantil, 5 de dança, 17 de música e 3 exposições, num total de 52 produções.
A apresentação esteve a cabo de director artístico da CTA, Rodrigo Francisco, e da presidente da Câmara Municipal de Almada (CMA), Inês de Medeiros. Segundo Rodrigo Francisco este será um ano que “abre um novo ciclo” para o edifício do Teatro Azul – da autoria de Manuel Graça Dias e Egas José Vieira -, que celebra 20 anos de existência, e já acolheu ao longo da sua vida “1,1 milhões de espectadores e 9 mil sessões de teatro, dança e música”.
A CMA renovou no ano passado o contrato de gestão do Teatro Municipal Joaquim Benite – assim denominado após a morte do fundador da companhia almadense – por mais 20 anos. “O teatro foi construído para ser a casa da CTA, para albergar uma estrutura de criação, com muitas valências que outros teatros não têm: um atelier de construção de cenografia, um espaço de ATL, uma generosa sala de ensaios, etc.”, relembrou Rodrigo Francisco.
Assim, a programação destaca as três novas criações da CTA, que têm a sua casa no TMJB: “Um assobio no escuro” (10 de Abril), do irlandês Tom Murphy, “Medida por medida” (30 de Outubro), de William Shakespeare, e “Uma nova volta ao mundo” (28 de Novembro), uma adaptação para o público infantil e familiar a partir de “A volta ao mundo em 80 dias”, de Júlio Verne.
Rodrigo Francisco encenará “Um assobio no escuro”, a obra de estreia de Tom Murphy, uma tragédia escrita em 1961 quando o autor tinha 25 anos, e na qual utilizou a experiência pessoal como filho de uma família numerosa, com quase todos os irmãos emigrados em Inglaterra. A peça, cujo tema “é importante falar neste momento”, por retratar a emigração irlandesa nos anos 1970, “permite olhar para dentro de uma família de imigrantes, com todas as tensões e os problemas que havia no seio dessa família, para também nos lembrarmos que nós portugueses já fomos um povo de emigrantes no século passado”, salientou Rodrigo Francisco.
“Medida por medida”, de Shakespeare “que não é feito há bastante tempo em Portugal”, terá como encenador o espanhol Ignacio García, argumentista, realizador, encenador, e também director do Festival de Teatro Clássico de Almagro (FTCA), naquela que será a sua quarta colaboração com a CTA. Encenou anteriormente “História do cerco de Lisboa” (2017), de José Saramago; “Reinar depois de morrer” (2019), de Luis de Guevara; e “Nem come nem deixa comer” (2021), de Lope de Vega.
Rodrigo Francisco destacou ainda a reposição, já a partir do próximo dia 16 de Janeiro, na Sala Experimental, de “Um adeus mais-que-perfeito”, a partir do romance “seminal” do Prémio Nobel da Literatura Peter Handke, com adaptação de Pedro Proença e encenação de Teresa Gafeira. Estreada na edição 2025 do Festival de Almada, a peça do dramaturgo austríaco, que passou a infância em Berlim Leste, “escalpeliza” os motivos que levaram a mãe a suicidar-se aos 51 anos, numa narativa sobre as condições de vida das mulheres nascidas numa região austríaca pobre e agrícola, em 1920. O espectáculo, segundo Rodrigo Francisco, tem “fortes ecos com as mulheres das gerações das nossas mães, que viveram sob a ditadura em Portugal, sob um regime de patriarcado, e que foram impedidas de estudar, condenadas a ser mulheres no sentido de servir a família e estarem subjugadas primeiro aos seus pais e depois aos seus maridos”.
O director da CTA acentuou ainda a “continuação da abertura de portas a criadores” que ali farão residências artísticas, como é o caso do actor Cláudio da Silva, que em Setembro apresentará “Ájax”, de Sófocles; e das cinco residências artísticas de músicos galardoados com o Prémio Jovens Músicos, que ao longo do ano serão integrados no ciclo “Música de Câmara”.
Das peças acolhidas, destacam-se “Quando nós, os mortos, despertamos”, de Henrik Ibsen, pelo Teatro da Terra, uma companhia seixalense; e “Oleanna”, de David Mamet, com encenação de Sara Vicente, numa produção conjunta da Companhia de Teatro do Algarve (ACTA Teatro), Cineteatro António Lamoso (CAL) e TMJB. “Amor de perdição”, de Camilo Castelo Branco, com encenação de Maria João Vicente e coprodução do Teatro Nacional de S. João (TNSJ), e “John Gabriel Borkman”, também de Ibsen, com encenação de Joaquim Horta e produção conjunta do Teatro S. Luiz e do TMJB, onde serão levados à cena. “Todos os pássaros”, um texto de Wadji Mouawad, “Os jugoslavos”, de Juan Mayorga, pelos Artistas Unidos, e “Uma performance entre outros”, com texto de Jacinto Lucas Pires, que assina a criação da peça com Flávia Gusmão, são outras peças a que poderá assistir no TMJB.
A programação integra ainda o Festival de Música dos Capuchos (FMC), o Festival de Artes Performativas Transborda organizado pela Casa da Dança, e em Julho, o Festival de Teatro de Almada.
Para a edição deste ano do Festival de Almada, em Julho, pode já contar com as peças “Teatro Delusio” (a 9 e 10 de Julho), da companhia alemã Familie Flöz, eleita Espectáculo de Honra pelo público, na edição do Festival em 2025, e “O beijo do asfalto” (13 e 14), de Nelson Rodrigues, numa produção do Teatro Nacional São João (TNSJ), do Porto, com encenação de Miguel Loureiro. O Festival de Almada terá a sua programação apresentada antes de Julho, como já é habitual.
Fogo Fogo, Mazgani, Hélder Moutinho, Márcia, Ana Bacalhau e Duarte Maia são algumas propostas musicais, enquanto na dança figuram “O salvado”, com direcção, interpretação, textos e escolha musical de Olga Roriz, em Fevereiro; e o programa “Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo apresenta” (CPBC), em Março.
Ainda na dança poderá assistir a “Parterre”, pelo coreógrafo e bailarino brasileiro Volmir Cordeiro, e “Maneras de Salir”, com conceito e coreografia da bailarina Varinia Canto Vila, ambos em Maio, e “Olhos periféricos fazem sismos, línguas enroladas chamam um vulcão”, título provisório da estreia, em Outubro, da nova criação de Amador Alina Folini, artista, performer e coreógrafo não binário, oriundo da Argentina, que actualmente se divide entre Lisboa e Amesterdão.
Ao longo do ano estão ainda agendadas três exposições: “Dicionário de Luz”, de Pedro Castanheira, “Na luz das sombras: Marionetas de sombra do Museu da Marioneta” e “Memórias com futuro”, do fotógrafo Alípio Padilha.
“Dicionário de Luz”, do realizador e director de fotografia Pedro Castanheira, inaugurou no Sábado, na galeria de exposições do TMJB, e pode ser visitada até dia 28 de Março. Nela, o autor substitui as 26 letras do abecedário por 26 fotografias que compõem um novo abecedário, feito de luz, onde, explica, “cada imagem é ao mesmo tempo sinal e signo, letra ou clarão”.
A noite terminou com a actuação dos jovens da Orquestra Gerajazz e convidados, que interpretou vários temas de “Diálogos Luso-Africanos”, sob a direcção do maestro e professor Eduardo Lála. Com cerca de 30 jovens músicos e professores em palco, o espectáculo teve como solistas convidadas, Isabel Novella (Moçambique) e Anastácia Carvalho (com raízes em Angola e São Tomé e Príncipe); o músico e mestre de kora guineense, José Braima Galissá; o percussionista Iúri Oliveira; e a violinista Edvânia Moreno.
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