Almada | Murmúrios de Pedro e Inês trazem dança ao TMJB
Dia 13 de Setembro pelas 21h, na Sala Principal do Teatro Azul
A companhia Dança Em Diálogos vai estar em Almada, Sábado dia 13 de Dezembro, pelas 21h, no Teatro Municipal Joaquim Benite (TMJB), para um bailado contemporâneo sobre a conhecida história de D. Inês de Castro e do futuro rei de Portugal D. Pedro I, “Murmúrios de Pedro e Inês”. A sessão única encontra-se quase esgotada.
Dois bailarinos (Pedro e Inês) passam pelos vários quadros desta conhecida e trágica história de amor. Os dois corpos materializam a história de um tempo já distante, mas também a transpõem para o tempo presente e, principalmente, para o tempo interior de cada um. Duas sonoridades embalam esta dança a dois: música de compositores portugueses e um texto que capta o que a língua portuguesa tem de mais harmonioso e melódico. É sobre estes dois protagonistas que recai toda a atenção, embora outras personagens se façam sentir.
Não pretendendo que o bailado seja uma transposição literal e óbvia da lenda que nos é tão familiar, a narração decorre sob uma perspectiva onde o significante nem sempre produz o esperado significado. A história de Pedro e Inês é dançada, contada, ouvida, vista e sentida através de uma amálgama artística contemporânea, tornando este espectáculo original e apelativo para um público transversal ao público de dança.
Fundada em Janeiro de 2018 sob a direcção artística de Solange Melo e Fernando Duarte, a companhia Dança Em Diálogos tem como objectivo primeiro contribuir para a pluralidade de apresentação de espectáculos de dança em todo o território nacional, numa dinâmica descentralizadora e abrangente de públicos e de contextos de actuação. Inserida num ambiente que procura responder aos desafios da arte contemporânea, desenvolve uma plataforma de criação coreográfica que procura uma articulação profunda entre a dança e as demais áreas artísticas e do conhecimento, assim como entre as múltiplas linguagens que a compõem.
Ficha Técnica e artística
Companhia Dança Em Diálogos
Direcção Artística do Bailado: Solange Melo e Fernando Duarte
Coreografia: Fernando Duarte
Música: Bernardo Sassetti e Fernando Lopes-Graça
Texto: Afonso Cruz
Figurinos: José António Tenente
Desenho de Luz: VP
Instalação Artística: A Caixa Dos Murmúrios e Pedro Crisóstomo
Classificação: M/12
Duração: 45 min.
Preço: entre 9,10€ e 13€ (Clube de Amigos: 6,50€)

História de D. Inês de Castro e de D. Pedro I
D. Inês de Castro era filha ilegítima de D. Pedro Fernandes de Castro e de uma dama portuguesa, Aldonça Lourenço de Valadares. O seu pai, neto por via ilegítima de D. Sancho IV de Castela, mordomo-mor do rei D. Afonso XI de Castela, era um dos fidalgos mais poderosos do Reino de Castela.
Chegou a Portugal como dama de companhia de D. Constança Manuel, prometida ao Infante D. Pedro. Em 24 de Agosto de 1340 teve lugar, na Sé de Lisboa, o casamento do Infante D. Pedro, com D. Constança Manuel, filha de D. João Manuel de Castela, príncipe de Vilhena e Escalona, duque de Penafiel, tutor de Afonso XI de Castela.
Todavia seria por D. Inês de Castro que D. Pedro viria a apaixonar-se. Este romance começou a ser comentado e mal aceite pela corte, que temia a influência castelhana sobre o infante Pedro. Em 1344, o rei D. Afonso IV mandou exilar D. Inês no castelo de Alburquerque, na fronteira castelhana, onde tinha sido criada por sua tia. A distância não teria apagado o amor entre Pedro e Inês, que se correspondiam com frequência.
Após a morte de D. Constança, D. Pedro, contra a vontade do pai, mandou D. Inês regressar do exílio e uniu-se a ela, provocando escândalo na corte e desgosto ao rei. D. Afonso IV tentou casar o filho com uma dama de sangue real. Contudo, D. Pedro rejeitou o casamento, alegando que sentia ainda muito a perda de sua mulher, D. Constança, e que não conseguia ainda pensar num novo casamento.
D. Inês foi tendo filhos de D. Pedro: Afonso em 1346 (que morreu pouco depois de nascer), Beatriz em 1347, João em 1349 e Dinis em 1354. Na corte portuguesa, circulavam boatos de que os Castros conspiravam para assassinar o infante D. Fernando, legítimo herdeiro de D. Pedro, para o trono português passar para o filho mais velho de D. Inês de Castro.
Depois de alguns anos no Norte de Portugal, Pedro e Inês regressam a Coimbra e instalam-se no Paço de Santa Clara. Mandado construir pela avó de D. Pedro, a Rainha Santa Isabel. Havia boatos de que o Príncipe se tinha casado secretamente com D. Inês, facto posteriormente confirmado por D. Pedro I na famosa Declaração de Cantanhede, mas só após a morte de D. Inês.
Na Família Real um incidente deste tipo assumia graves implicações políticas. Sentindo-se ameaçados pelos irmãos Castro, os fidalgos da corte portuguesa pressionavam o rei D. Afonso IV para afastar esta influência do seu herdeiro. O rei D. Afonso IV decidiu que a melhor solução seria matar a dama galega.
A 7 de Janeiro de 1355, o rei, aproveitando a ausência de D. Pedro, foi com Pero Coelho, Álvaro Gonçalves, Diogo Lopes Pacheco e outros para executarem Inês de Castro em Santa Clara, conforme fora decidido em conselho. Segundo a lenda, as lágrimas derramadas no rio Mondego pela morte de Inês teriam criado a Fonte das Lágrimas da Quinta das Lágrimas, e algumas algas avermelhadas que ali crescem seriam o seu sangue derramado.
A morte de D. Inês provocou a revolta de D. Pedro contra D. Afonso IV. Após meses de conflito, a Rainha D. Beatriz conseguiu intervir e selar a paz, em Agosto de 1355. D. Pedro tornou-se no oitavo rei de Portugal como D. Pedro I em 1357. Em Junho de 1360 fez a Declaração de Cantanhede, legitimando os filhos ao afirmar que se tinha casado secretamente com D. Inês, em 1354, em Bragança.
De seguida perseguiu os assassinos de D. Inês, que tinham fugido para o Reino de Castela e mandou destruir a Vila do Jarmelo. Pero Coelho e Álvaro Gonçalves foram apanhados e executados em Santarém. Reza a lenda que o Rei mandou arrancar o coração de um pelo peito e o do outro pelas costas, assistindo à execução enquanto se banqueteava, o que é confirmado por Fernão Lopes, com a ressalva de que o carrasco o teria dissuadido da ideia pela dificuldade encontrada nesta forma de execução. Diogo Lopes Pacheco conseguiu escapar para França e, posteriormente, seria perdoado pelo Rei no seu leito de morte.
A tétrica cerimónia da coroação e do beija-mão à Rainha D. Inês, já morta, que D. Pedro pretensamente teria imposto à sua corte e que se tornaria numa das imagens mais vividas do imaginário popular, teria sido inserida pela primeira vez nas narrativas espanholas do final do século XVI.
D. Pedro mandou construir os dois túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro que se encontram no mosteiro de Alcobaça, para onde trasladou o corpo da sua amada Inês, em 1361 ou 1362. Juntar-se-ia a ela em 1367.
"Murmúrios de Pedro e Inês", Afonso Cruz, Almada, Cultura, Dança contemporânea, Dança em Diálogos, José António Tenente, Teatro Municipal Joaquim Benite
