Costa da Caparica | O Conto dos Crisântemos Tardios
Um filme de Kenji Mizoguchi que pode ser visto dia 9 de Maio às 21h, no Auditório Costa da Caparica
O Cineclube Impala, organizado pela Associação Gandaia, leva ao ecrã do Auditório Costa da Caparica, o filme “O Conto dos Crisântemos Tardios”, de Kenji Mizoguchi, o segundo do ciclo de cinema dedicado ao cineasta japonês, que decorrá durante o mês de Maio.
Passado em Tóquio em 1888, em meados da Era Meiji (1868-1912), o filme é uma fábula sobre um amor condenado entre um actor de teatro Kabuki, arte dominada pelos homens, e a jovem ama do seu sobrinho, Otoku (Kakuko Mori), disposta a sacrificar tudo pela carreira do homem que ama.
Nascido numa família tradicional, filho adoptivo e sucessor de um mestre do teatro Kabuki, Kikunosuke Onoe (Shotaro Hanayagi), acredita não estar à altura do pai. Todos lhe tecem falsos elogios, por ser filho de quem é, e a única pessoa a dar-lhe uma opinião negativa e honesta sobre a sua falta de talento é Otoku. Apaixonam-se um pelo outro, num amor repreendido por toda a família, que se opõe a esta união com uma serviçal. Num acesso de raiva de Kikunosuke, o casal foge de casa e de Tóquio. Kikunosuke descobre-se como artista através de experiências duras noutras cidades, num grupo de saltimbancos que vive no extremo oposto à vida fácil que antes levava. As dificuldades fazem dele o actor que nunca antes fora. No final, ele regressa triunfante a Tóquio e à família, mas não sem antes abandonar a principal responsável pelo seu sucesso. É ela que pede, e consegue, uma nova oportunidade para ele na performance que lhe salva a carreira. Mas enquanto Kikunosuke é aplaudido em apoteose, Otoku sucumbe à doença, isolada na casa da sua família.
O filme baseia-se numa peça de Sanichi Iwaya, por sua vez inspirada num romance de Shofu Muramatsu
“O Conto dos Crisântemos Tardios” é um exemplo da riqueza e complexidade das personagens femininas na obra de Mizoguchi, realizador decisivo na internacionalização do cinema japonês, sobretudo a partir do impacto de “Contos da Lua Vaga” (1953), distinguido com um Leão de Prata no Festival de Veneza.
Mizoguchi afirmou-se, com este filme, como um retratista das emoções mais secretas dos seres humanos, sobretudo nas suas complexas personagens femininas. A sua visão foca-se em muitos elementos históricos e culturais específicos do Japão, mas também possui um apelo universal, que faz de “O Conto dos Crisântemos Tardios” uma obra-prima que transcendeu fronteiras.

Ficha Técnica:
Título original: Zangiku monogatari
Realização: Kenji Mizoguchi
Argumento: baseado na obra de Shôfû Muramatsu, Matsutarô Kawaguchi, Yoshikata Yoda
Produção: Shintarô Shirai
Elenco: Shôtarô Hanayagi, Kôkichi Takada, Gonjuro Kawarazaki, Kakuko Mori,
Música: Shirô Fukai
Fotografia: Yozô Fuji, Minoru Miki
Edição: Koshi Kawahigashi
Género: Drama / Romance
Origem: Japão
Ano: 1939
Duração: 143 min.
Classificação: M/12
1€ sócios | 2€ geral
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