FNAM aconselha médicos da ULS Almada-Seixal a apresentarem escusas de responsabilidade
Federação e Sindicato dizem que decisões do novo Conselho de Administração colocam em risco a segurança de médicos e utentes
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) aconselhou, a 18 de Fevereiro, os médicos da Unidade Local de Saúde Almada-Seixal (ULSAS) a apresentarem escusas de responsabilidade devido à falta de médicos nas urgências.
Segundo a FNAM, no Sábado 15 de Fevereiro, o serviço de urgência do Hospital Garcia de Orta (HGO) em Almada, foi garantido essencialmente por médicos internos e prestadores de serviço, tendo as escalas de urgência interna, na Via Verde do AVC e na Ginecologia/Obstetrícia ficado incompletas.
No Domingo 16, acrescenta a Federação, o Serviço de Urgência Geral, Pediátrico e de Ginecologia/Obstétricia foram garantidos com o apoio de apenas dois médicos anestesiologistas até às 18h, e por um único no período seguinte, até às 8h, “pondo em causa a assistência a doentes urgentes e emergentes”.
“Os problemas na urgência do Hospital Garcia de Orta (HGO) avolumam-se e o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde Almada-Seixal prima pela inércia e por decisões ziguezagueantes, que colocam a segurança de utentes e médicos em risco.”, declaram a Federação e o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) em comunicado conjunto.
“Pelos vistos este fim de semana atingiu-se o cúmulo. O que se percebeu é que só dois anestesiologistas funcionaram até às 18h, e das 18h às 8h, um único para o hospital inteiro, colocando em risco os doentes e os médicos“, disse à Lusa a presidente da FNAM, Joana Bordalo e Sá.
A federação vai mais longe e afirma no seu comunicado que “o Conselho de Administração da ULS Almada-Seixal, que é uma das recentes nomeações políticas de Ana Paula Martins, tem se revelado incapaz de resolver a falta de médicos no HGO, em Almada.”
A FNAM aconselhou assim, que “todos os médicos que não disponham das condições adequadas ao exercício da actividade médica (…) a entregar as minutas de declinação de responsabilidade funcional”, uma vez que a situação pode resultar num “risco acrescido de erro médico, com claro prejuízo para o utente e para o próprio”.
A FNAM acusou ainda a administração da ULSAS “de colocar em risco a segurança de médicos e utentes” ao tentar deslocar ginecologistas do serviço de urgência para o hospital do Barreiro.
Segundo Joana Bordalo e Sá, em causa está o facto de o recém-nomeado Conselho de administração da ULSAS, do qual faz parte o HGO, “ter tentado colmatar a falta de anestesiologistas, necessários ao trabalho dos ginecologistas-obstetras, deslocando profissionais para o Hospital da Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro”. Contudo, adiantou, o Conselho de Administração recuou nessa intenção, não se tendo concretizado a deslocação de ginecologistas.
Face às críticas, o actual Conselho de Administração da ULSAS disse, em resposta enviada à agência Lusa, que “assumiu funções na passada Sexta-Feira e que está comprometido em reforçar a resposta interna da instituição e em encontrar as melhores soluções, em conjunto com os profissionais de saúde, com vista a garantir uma resposta de qualidade aos utentes.” Nesse sentido, adiantou ainda o Conselho de Administração, “tem procurado articular, sempre que possível, com as restantes Unidades Locais de Saúde da Península de Setúbal.”
A Federação Nacional dos Médicos alerta que a situação actual da ULSAS afecta utentes, grávidas, puérperas e crianças de Almada, Seixal, Barreiro, Montijo, Moita e Alcochete, que são servidos pelo Hospital Garcia de Orta, em Almada, e pelo Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro.
A FNAM refere ainda no mesmo comunicado que “está a acompanhar a situação de perto e que tem uma reunião sindical com médicos agendada para Sexta-Feira, onde ouvirá e apoiará os médicos do Hospital Garcia de Orta.”

O Governo anunciou na passada Quinta-Feira à noite que o médico Pedro Correia Azevedo é o novo presidente do Conselho de Administração da ULSAS, tendo no mesmo dia sido publicada a nomeação em Diário da República, com efeitos a partir de Sexta-Feira.
O novo Conselho de Administração declarou na sua apresentação oficial no site do HGO que “é com imensa honra, sentido de responsabilidade e um profundo espírito de missão que assumimos este novo desafio, determinados na prossecução do aumento do acesso e da melhoria da prestação de cuidados de saúde à nossa população”, afirma o presidente do CA da ULSAS, Pedro Correia Azevedo. “Contamos com o melhor activo, que são os nossos colaboradores, para alcançar este desígnio.”
Pedro Correia Azevedo assume a liderança da nova equipa, como Presidente do Conselho de Administração; Ana Luísa Broa, é a nova directora clínica para a área dos cuidados de saúde hospitalares e a direcção clínica dos cuidados de saúde primários fica a cargo de Sénia Guerreiro. Integram, ainda, a nova equipa o vogal executivo, Miguel Rodrigues, e a enfermeira directora, Susana Graúdo.
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