O filme é melhor que o livro? O Leopardo
Dia 25 às 20h na Biblioteca Central pode visionar o filme e dia 30 às 21h debater se prefere o livro, o filme ou ambos
A Biblioteca Municipal de Almada propõe um encontro para visionar um filme e ler um livro. O objectivo é estabelecer uma comparação entre o filme e o livro adaptado, através da qual cada um encontrará a sua preferência, ou seja, se gostou mais do livro do que o filme, se gostou mais do filme do que o livro ou se gostou de ambos de igual modo.
Para o mês de Janeiro a escolha recaiu sobre o filme “O Leopardo” de Luchino Visconti, adaptado do livro homónimo de Giuseppe Tomasi di Lampedusa. A actividade tem duas sessões, uma primeira, no dia 25 de Janeiro às 20h, para o visionamento do filme e uma segunda, no dia 30 às 21h, para discussão do filme e do livro. A actividade destina-se a maiores de 18 anos e requer marcação prévia com Davide Freitas, através do mail biblactividades@cm-almada.pt ou do telefone 212 508 210.
O Leopardo é uma recriação nostálgica, dramática e opulente dos anos tumultuosos da Unificação italiana, quando a aristocracia perde o seu poder e as classes médias se unem para criar uma Itália democrática. No filme, passado na Sicília, no século XIX, assiste-se à atmosfera vivida nos palácios da aristocracia durante o conturbado reinado de Francisco II das Duas Sicílias e o Risorgimento – longo processo de unificação dos Estados autónomos que originaram o Reino de Itália, em 1870. Assiste-se à queda da monarquia de Bourbon no Reino das Duas Sicílias e sua anexação ao então Reino da Sardenha, governado pela dinastia Saboia. Burt Lancaster interpreta o príncipe envelhecido Dom Fabrizio Salina, que observa a decadência da sua cultura e fortuna, perante a ascensão de uma nova geração, representada pelo seu sobrinho arrivista Tancredi Falconeri (Alain Delon) e a sua bela noiva Angelica Sedara (Claudia Cardinale). É a decadência da nobreza e a ascensão da burguesia. D. Fabrizio é um aristocrata que tenta manter o anterior modo de vida, apesar dos tempos de mudança. Para ele a ascensão da burguesia é uma ameaça e, decepcionado com a fraqueza do seu filho mais velho, Francesco (Pierre Clémenti), Don Fabrizio transfere toda a sua afeição filial para o seu sobrinho Tancredi. Numa manobra astuta, o aristocrata combina o casamento do seu sobrinho com Angélica, filha de um rico e influente administrador de propriedades. Fiel aos seus valores, D. Fabrizio consegue assim manter acesa a chama do antigo regime. As classes mais elevadas tentam ignorar os movimentos nacionalistas e, ele começa a ter dúvidas acerca dos seus próprios sentimentos em relação ao que o rodeia. Face ao desembarque das forças de Garibaldi em Palermo e à iminente unificação da Itália, Salina fica chocado quando vê o seu sobrinho associar-se a Garibaldi.
Visconti retratou com brilhantismo o período histórico do nacionalismo italiano, colocando em confronto a nostalgia da perda dos privilégios e tradições com a necessidade de transformações sociais. O Leopardo tornou-se num dos principais títulos do neorrealismo italiano concebendo uma complexa teia dramática, centrada na figura do protagonista, ele próprio dilacerado interiormente por questões de natureza moral.
O filme foi o vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, no ano de seu lançamento, 1963.

Ficha Técnica:
Título original: Il gattopardo
Realização: Luchino Visconti
Argumento: adaptado do livro homónimo de Giuseppe Tomasi di Lampedusa
Produção: Goffredo Lombardo
Elenco: Burt Lancaster, Alain Delon, Claudia Cardinale, Paolo Stoppa, Rina Morelli, Romolo Valli, Terence Hill, Pierre Clémenti, Lucilla Morlacchi, Giuliano Gemma, Ida Galli, Ottavia Piccolo, Carlo Valenzano, Brook Fuller, Anna Maria Bottini, Lola Braccini, Marino Masé, Howard Nelson Rubien,
Fotografia: Giuseppe Rotunno
Música: Nino Rota
Edição: Mario Serandrei
Género: Drama, Guerra
Origem: Itália, França
Ano: 1963
Duração: 197 min
Classificação: M/12

