TST mantêm greve a 28 e decidem parar dois dias em Junho
Amanhã são esperadas perturbações nos transportes rodoviários da Área 3
Os trabalhadores da Transportes Sul do Tejo (TST) decidiram esta Segunda-Feira, 27 de Maio, em plenário que decorreu no Laranjeiro, manter a paralisação agendada para amanhã dia 28, e marcar mais dois dias de greve, a 5 e 25 de Junho, disse à agência Lusa fonte sindical. A greve está agendada entre as 3h de 28 e as 3h de 29 de Maio.
O plenário de hoje, que decorreu entre as 11h e as 14h, foi convocado pelo Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), afecto à Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), e pelo Sindicato Nacional dos Motoristas (SNMOT) para dar a conhecer aos trabalhadores a proposta entretanto apresentada pela TST, numa reunião realizada no dia 20 de Maio.
Sara Gligó, dirigente da Fectrans, explicou em declarações à agência Lusa que “a empresa apresentou algumas alterações à proposta inicial, deixando cair por exemplo a obrigatoriedade do subsídio de refeição ser pago em cartão”, uma das reivindicações dos trabalhadores, aumentando o valor para 7,30 euros a partir de 1 de Junho. Por outro lado, adiantou, “a empresa manifestou também disponibilidade para aplicar 5,89% de aumento em 2024, com um mínimo de aumento de 60 euros”.
Além disso, a empresa “está também disponível para igualar em 31 de Dezembro os salários dos trabalhadores da TST aos ordenados praticados pela empresa Alsa Todi” (que opera nos concelhos de Alcochete, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela e Setúbal), “para que os trabalhadores da península de Setúbal fiquem com os salários nivelados”.
Contudo, explicou a sindicalista, “os trabalhadores entendem que os valores propostos pela empresa ainda não chegam aos 80 euros de aumento e aos 9,60 euros de subsídio de refeição que reivindicam, pelo que ratificaram a greve marcada para Terça-Feira e marcaram mais dois dias de paralisação, a 5 e 25 de Junho”.
No site da Fectrans pode ler-se que “amanhã vai ser um dia de perturbação nos transportes na área da Carris Metropolitana que é operado pela TST, cuja administração não quer ter em conta a necessidade de aumentar os salários de modo a valorizar as profissões dos trabalhadores daquela empresa. A solução para este conflito faz-se com o retomar das negociações, com total abertura para encontrar soluções que respondam às aspirações de quem trabalha na empresa e que quer ter uma vida melhor.”
No dia 9 de Maio, os trabalhadores da TST também realizaram uma greve de 24 horas.
No dia 10 de Maio, em Esclarecimento enviado às redacções, a administração dos TST declarou que “foi surpreendida pela informação, veiculada por uma das Organizações Representativas dos Trabalhadores (ORT’S), com a exigência da continuação das negociações em resultado do plenário geral realizado no dia de ontem.”
A transportadora rodoviária afirmou também que era “necessário esclarecer que, após um longo e intenso período de negociação, foi fechado um acordo, no inicio de Abril, entre a TST e todas as ORT’s, através do qual foi possível encontrar um entendimento entre as partes, que teve em consideração a melhoria das condições salariais dos Trabalhadores.”
A empresa esclareceu ainda que “as actualizações salariais propostas e aceites pelas ORT’s, possíveis de efectuar com recurso a um esforço financeiro por parte da TST, sem colocar em causa o desenvolvimento sustentável da empresa, foram: o incremento na tabela salarial em 5,89%, com actualização mínima salarial garantida de 60,00€; subsídio de refeição de 7,30€, com pagamento exclusivo em cartão refeição; subsídio de segunda refeição de 7,96€; subsídio de refeição deslocado de 8,60€; introdução de uma cláusula de salvaguarda com pressuposto de actualização salarial entre 2025 e 2026.”
“Embora tenha sido alcançado um acordo entre as partes, as ORT’s decidiram levar o mesmo a plenário geral, realizado no dia 15 de Abril, o qual não foi aceite pelos Trabalhadores. A TST reconhecendo a importância de valorizar e incrementar os salários dos seus Trabalhadores, efectuou uma actualização salarial em Abril, com efeitos retroactivos a Janeiro de 2024, que, entre outras condições, procede a um incremento salarial de 5,89%, com aplicação directa de 60,00€ no nível de antiguidade zero da Tabela de Motoristas. As ORT´s, em resultado desse plenário, agendaram uma greve de 24 horas e Plenário para dia 9 de maio e nova greve para o dia 28 de maio de 2024.”
A empresa declarava na altura não ter recebido “qualquer comunicação formal, por parte das ORT’s, sobre o resultado do Plenário de Trabalhadores de dia 9 de Maio de 2024”, e terminava lamentando “os incómodos que esta greve possa ter causado a todos os clientes que utilizam os serviços da Carris Metropolitana na área 3.”
A TST serve os concelhos de Almada, Seixal e Sesimbra através área 3 da Carris Metropolitana e, segundo a dirigente sindical, tem um total de 900 trabalhadores. É um operador privado de transportes rodoviários colectivos, que gere 140 linhas em três unidades operacionais. Serve mensalmente mais de 2,3 milhões de habitantes e tem uma frota de 339 veículos.
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