Marcha da Trafaria é a grande vencedora das Marchas Populares de Almada 2026

Vila piscatória conquista 1º lugar no pódio e prémios da avenida, cenografia, coreografia e figurino

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Na noite de 3 de Julho, o Pavilhão do Complexo Municipal dos Desportos “Cidade de Almada”, no Feijó, vestiu-se de cor, brilho e bairrismo, para acolher a final do Concurso das Marchas Populares de Almada. No final, após uma maratona de exibições, que pôs à prova o coração das claques, o veredicto do júri foi claro: a grande vencedora deste ano é a Marcha da Trafaria. O desfile contou também com a participação especial e extra concurso d’Os Costinhas, da Marcharte (Coimbra) e da Marcha Inclusiva Rumo ao Futuro.

A vitória da localidade piscatória impôs-se num pódio muito disputado. A Marcha da Ramalha garantiu um honroso e muito aplaudido segundo lugar, seguida de perto pela Marcha da Capa-Rica, que fechou o top três desta edição. A energia contagiante da Marcha da Costa de Caparica garantiu-lhe a quarta posição, com a Marcha da Charneca da Caparica a segurar o quinto lugar. O desfile competitivo encerrou com a Marcha do Beira Mar de Almada em sexto, e a Marcha da Cova da Piedade ACAPI no sétimo lugar da tabela. Os três últimos lugares foram atribuídos à Marcha da Santa Casa da Misericórdia de Almada (SCMA) – Pia II, Marcha de Cacilhas e Marcha do Estrelas do Feijó, respectivamente.

Para além do pódio, os troféus de especialidade — Cenografia, Coreografia, Figurino, Musicalidade e Letra —, e do sempre desejado Prémio Avenida (desfile de rua), que distinguem o trabalho invisível e o talento técnico das marchas, foram todos conquistados pela Marcha da Trafaria, com excepção do da Letra, entregue à Marcha da Capa-Rica e do da Musicalidade, que coube à Marcha da Ramalha.

A Marcha da Trafaria, que obteve o quinto lugar na edição de 2025, arrebatou o primeiro lugar este ano e conquistou mais quatro prémios de especialidade. A sua marcha evoca a união, a diversidade, o seu passado e presente, “a das redes e das marés, mas também a das novas gerações que mantêm viva a chama de quem outrora ergueu a vila com as próprias mãos”. Cada espelho no traje das marchantes simbolizava “o reflexo de uma história que continua, de uma vila que se renova sem perder a sua essência”. “Quando a Trafaria se olha ao espelho, vê-se inteira: feita de passado e de presente, de quem partiu e de quem ficou, de quem chegou e se fez Trafariense pelo amor à terra. Porque todos somos o reflexo uns dos outros”, podia ler-se no programa das marchas.

A edição de 2026 teve um simbolismo único ao assinalar três décadas das Marchas Populares de Almada, uma tradição profundamente enraizada na identidade do concelho desde 1994. A exposição “É um amor que não se explica“, que assinala esta efeméride, continua patente ao público em vários locais do concelho até 2 de Agosto.

Almada despediu-se de uma noite em que se celebra a tradição, o espírito comunitário, a união, a garra e o bairrismo, com os arraiais a estenderem-se pela madrugada, e a certeza de que esta herança popular continua mais viva do que nunca.

Caso tenha perdido os desfiles no pavilhão, pode rever tudo aqui.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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