Teresa Rita Lopes (1937 – 2025)
Foi uma das investigadoras mais dedicadas aos estudos pessoanos e também autora de poesia, ensaios, contos e peças de teatro, tendo conquistado vários prémios ao longo da sua carreira.
Teresa Rita Lopes nasceu em Faro em 1937 e faleceu em Almada, onde residia, a 14 de Junho aos 87 anos. Foi professora, crítica, investigadora, dramaturga e poeta.
O seu funeral está marcado para Terça-Feira 17 de Junho, às 13h, partindo da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no Feijó, para o crematório do cemitério de Vale Flores.
Exilou-se em Paris em 1963, após ser perseguida pela PIDE, onde viveu até 1982, altura em regressou a Portugal para se dedicar ao estudo de milhares de documentos do espólio de Fernando Pessoa.
Licenciada em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, doutorou-se na Sorbonne Nouvelle, onde também leccionou, com a tese “Fernando Pessoa et le drame symboliste – héritage et création” (Fernando Pessoa e o drama simbolista – herança e criação), publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian em 1977. A obra foi fundamental para a redescoberta da obra de Pessoa, sobretudo a partir dos anos 80 do século passado, sendo um dos muitos textos que escreveu sobre a complexa obra do autor de A Mensagem. Também publicou novas edições da obra pessoana, que contribuíram para um maior conhecimento da sua obra, com destaque para os dois volumes Pessoa por Conhecer, publicados em 1990.
O seu papel foi igualmente fundamental para a preservação da obra do poeta, por ter contribuído para impedir que o espólio do escritor saísse do país para ser vendido em Inglaterra, tendo o famoso baú sido adquirido posteriormente pelo estado português, para a Biblioteca Nacional. A preservação deste espólio muito contribuiu para o conhecimento da sua obra.
No percurso de Teresa Rita Lopes destacam-se títulos como Cicatriz (1996, Prémio Eça de Queirós), Os Dedos os Dias as Palavras (Prémio Poesia Cidade de Lisboa, 1988), Estórias do Sul (2005). Foi também distinguida com os prémios de ensaio Pen Club em 1990, ou o Grande Prémio de Ensaio Unicer/Letras e Letras em1989. Escreveu mais de 20 peças de teatro, tendo apenas publicado quatro, levadas à cena em Portugal e no estrangeiro, como Três fósforos (1962), ou a A Asa e a Casa (2004), e venceu o Grande Prémio de Teatro da Associação Portuguesa de Escritores, em 2001.
Foi também codiretora da revista de poesia de língua portuguesa Orion, e uma das fundadoras da Universidade Nova de Lisboa, tendo sido professora de Literatura Comparada, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, desde 1979 até se jubilar, em 2007.
Em 2019, recebeu a Medalha de Mérito Grau Ouro atribuída pela Câmara Municipal de Faro, e, em 2024, foi distinguida com a Medalha Municipal de Mérito pelo Município de Tavira.
O Almada Online apresenta as suas mais sentidas condolências aos familiares, amigos e colegas.
Com a colaboração de Nuno Pinheiro
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