15 locais estiveram sem água a noite passada e 6 estão previstos para a noite de 9 de Julho

Situação de falhas de água gera cortes programados por localidades para repor as reservas. Saiba em que localidades haverá corte de água esta noite. Reacção da DECO. Troca de acusações entre PSD e PS. Reunião entre Medeiros e Ministra do Ambiente.

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A crise da água em Almada vai durar pelo menos mais duas semanas. A noite passada, 15 locais do concelho estiveram sem água. O corte total foi decretado entre as 22h da noite e as 6h da manhã em localidades da Caparica e da Charneca. A autarquia já impôs restrições e no sábado vão ser acrescentados mais condicionamentos. A população pede a demissão da presidente da Câmara Inês de Medeiros. O PSD culpa Inês de Medeiros e o PS pela crise na água em Almada. Presidente da Câmara reuniu com ministra do Ambiente.

No âmbito do decreto da Situação de Alerta, na noite de 8 de Julho foi efectuado o corte total da água entre as 22h e as 6h nas localidades da Charneca da Caparica, Aroeira, Marisol, Fonte da Telha, Palhais, Lazarim, Botequim, Vila Nova da Caparica, Capuchos, Pilotos, Funchalinho, Vale Rosal, Vale Cavala, Quintinhas e Quinta de Santa Teresa. A Costa da Caparica não foi visada no comunicado dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada, mas durante o protesto organizado ontem por muncípes dessa cidade, já as torneiras estavam sem água na Costa.

Estão previstos cortes para a noite de 9 de Julho, novamente entre as 22h e as 6h da manhã, nas localidades da Trafaria, Raposeira, Corvina, Fonte Santa, Banática e Porto Brandão.

Esta situação poderá repetir-se noutras zonas do concelho de Almada nos próximos dias. A presidente da Câmara de Almada revelou que a partir de Sábado haverá novas restrições.

Os problemas com o abastecimento da água duram há mais de uma semana. Primeiro os munícipes foram confrontados com redução da pressão da água durante o período nocturno, depois várias localidades sofreram cortes de mais de 12h no período diurno, como foi o caso da Costa da Caparica. Agora, a Câmara Municipal de Almada (CMA) avança agora com o corte integral, por zonas, entre as dez da noite e as seis da manhã para repor as suas reservas, que se encontram apenas a 10%.

O município vai contar com o apoio de camiões cisterna para distribuir água à população, mas embora esta solução temporária seja avançada desde Segunda-Feira, ainda não teve implementação no território

A falta de água em Almada resultou esta Quarta-Feira num protesto com cortes de estradas no acesso à Costa da Caparica e alguns confrontos entre manifestantes e a GNR, dos quais resultou uma detenção.

Reacção da DECO

A associação de defesa do consumidor (DECO) reagiu hoje ao que está a acontecer no concelho de Almada, relacionado com a falha de abastecimento de água, alertando que o problema deve ser resolvido “com urgência”. A associação destaca ainda a prioridade em assegurar o abastecimento em lares e estabelecimentos de saúde. 

“A interrupção de um serviço público essencial causa prejuízos graves aos consumidores, pelo que a situação deve ser acompanhada com urgência, tendo em vista o regular abastecimento de água, devendo os consumidores ser compensados pelos danos sofridos”, defende a Deco em comunicado. A associação garante já ter dado o seu parecer ao Ministério do Ambiente, ERSAR, SMAS de Almada e Câmara Municipal de Almada.

A Deco propõe ainda uma isenção da tarifa fixa no período em que se verificam as falhas no abastecimento, além do alargamento do prazo de pagamento das facturas, com possibilidade de pagamento em prestações. Defende ainda que, caso não exista o pagamento do serviço, não deve haver cortes no abastecimento.

©AR / Hugo Soares acusa Inês de Medeiros e o PS pela crise na água bem Almada

Troca de acusações entre PSD e PS

O PSD acusou hoje o PS querer “mascarar a incompetência” da Câmara Municipal de Almada na gestão da água, e ter por isso impedido que fossem ouvidas com urgência entidades do sector na Comissão Parlamentar de Ambiente. Hugo Soares culpou Inês de Medeiros pelas falhas no abastecimento e afasta responsabilidades do Governo. “O que está a acontecer em Almada deve-se a uma total falta de investimento nos últimos anos”, disse à Lusa.

“Hoje mesmo falei com a senhora ministra do Ambiente, que sei estará hoje também no concelho de Almada, para, dentro daquilo que é o âmbito de actuação do Governo, cuja responsabilidade nesta matéria é zero, podermos ver aquilo que, no âmbito das políticas do Governo, se pode fazer para ajudar a mitigar e a resolver esta situação”, afirmou.

Hugo Soares relatou que o PSD requereu na Terça-Feira que fossem ouvidas em comissão parlamentar, com carácter de urgência, a APA — Associação Portuguesa do Ambiente, a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), e as Águas de Portugal, mas que o PS inviabilizou essas audições.

O PSD considera, no entanto, que a autarca do PS “deve dar explicações é na Câmara Municipal e na Assembleia Municipal”, não na Assembleia da República, e por isso não pediu a sua audição parlamentar, mas sim de entidades que o Governo tutela. O objectivo do PSD era, “ouvindo essas entidades, perceber de que forma é que os senhores deputados podiam ter uma intervenção, e o próprio Governo, para ajudar a mitigar aquilo que acontece hoje no Conselho de Almada, que é uma situação que se arrasta há demasiado tempo”, referiu.

Referindo-se a Inês de Medeiros, Hugo Soares afirmou que “o que está a acontecer em Almada deve-se, sabe-se agora, a uma total falta de investimento nos últimos anos na rede de abastecimento e de captação de água naquele concelho, e que tem evidentemente um rosto e uma culpada”.

Reunião entre Inês de Medeiros e Ministra do Ambiente

A Ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, acusou a Câmara de Almada de não ter feito os investimentos para evitar a falta de água, e alerta que Almada tem perdas de água de cerca de 40%, consideradas uma das piores situações a nível nacional.

Inês de Medeiros reuniu-se hoje com a ministra do Ambiente para analisar a situação, no mesmo dia em que secretário geral do PS, José Luís Carneiro, veio criticar a ministra, dizendo que as suas palavras faltaram à verdade.

À saída, Maria da Graça Carvalho revelou os pontos discutidos na reunião com a autarca. “O primeiro ponto foi a necessidade urgente de estabilizar o sistema e de todos terem consciência de reduzir aos consumos essenciais. O segundo, aumentar as fontes de água. E temos já, tem a Câmara, porque estes serviços são serviços municipalizados, tanto em baixa como em alta, a Câmara já tem um furo que vai entrar até ao fim de semana em funções, que já vai aumentar cerca de 20% as fontes de água e já foi identificado um outro furo, esse sim muito grande, que vai practicamente suprir as quantidades de água necessária.” Avançou também que os trabalhos, cujos preços serão “relativamente baixos”, deverão ficar concluídos dentro de “duas a três semanas.” Falta apenas, garante, licenciar os trabalhos de abertura do furo junto da Agência Portuguesa do Ambiente, cujos pedidos foram feitos na manhã desta Quinta-Feira. Os pedidos de urgência nestes furos foram feitos na Segunda-Feira à tutela, pelo vice-presidente da CMA Filipe pacheco. Esta é uma solução a curto prazo. A médio prazo, acrescenta a ministra, terá de “haver uma maior resiliência do sistema” de abastecimento.

Depois dessa reunião, Inês de Medeiros, nega que esteja a fugir à população, face às falhas no abastecimento de água no concelho, e sugere que há puxadas ilegais. “Nunca fujo da população nem de jornalistas”, afirmou. “Independentemente das projecções que devíamos fazer, estamos perante um aumento muitíssimo substancial e imprevisível [do consumo de água]”, afirmou a autarca almadense. Medeiros sinalizou que o aumento da população, tanto da residente como a que utiliza a Costa da Caparica no Verão, é “uma das grandes razões”. Posteriormente, admite que “haverá certamente puxadas ilegais”.

“É muito importante que as pessoas saibam que as zonas mais críticas e pobres do concelho reduziram o consumo de água. Neste momento, os maiores consumos estão, de facto, nas zonas mais usadas durante o verão, que é na Costa da Caparica, na Charneca e na Sobreda”, afirmou Medeiros.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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