Miguel Oliveira afastado do MotoGP 2026

Piloto almadense oficialmente sem equipa e já não existem vagas

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A Prima Pramac Yamaha MotoGP anunciou a 4 de Setembro, que Miguel Oliveira não fará parte da equipa para o Mundial de MotoGP de 2026. É a confirmação do fim do seu contrato, que há muito se murmurava no paddock, no mesmo dia em que a Yamaha anunciou a renovação com Jack Miller até 2026. O australiano fará dupla com o turco Toprak Razgalioglu, campeão mundial de Superbikes, na próxima época. Miguel Oliveira, 30 anos, confirmou que não vai ficar no MotoGP e considera a possibilidade de entrar nas Superbikes.

“A Yamaha Motor agradece sinceramente a Miguel Oliveira por ter feito parte da equipa Prima Pramac Yamaha MotoGP neste ano tão importante de estreia com a Yamaha, desejando-lhe boa sorte e muito sucesso nos desafios futuros que tem pela frente. Desde o início, Miguel Oliveira demonstrou grande profissionalismo e um forte espírito de equipa, trabalhando intensamente no desenvolvimento da Yamaha YZR-M1, apesar das dificuldades causadas pela lesão que sofreu na Argentina, que o obrigou a perder quatro Grandes Prémios e afectou o seu trabalho”, escreveu a equipa, em comunicado.

O piloto almadense ficou a saber que deixaria a Yamaha no dia em que conseguiu o seu melhor resultado da época, com o 12º posto no GP da Hungria. Miguel Oliveira assinou com a Prima Pramac Yamaha MotoGP na época passada por uma temporada, com mais uma de opção que seria accionada pela Yamaha em função do desempenho do português. A lesão que contraiu no ombro, e que o retirou de três corridas, impediu o Falcão de Almada de alcançar melhores resultados.

“Não é propriamente uma notícia de última hora. Sabíamos que era uma decisão que estava pendente desde o final de Maio, quando foi anunciada a contratação do Toprak Razgatlioglu. Algo inesperado, diria, no sentido de não darmos continuidade àquilo a que me tinha proposto em 2024, assinando um acordo de um ano com mais um de opção e uma cláusula de performance a meio da temporada. Obviamente, uma cláusula altamente condicionada pela lesão na Argentina e depois o anúncio do Toprak veio mexer muito na dinâmica dentro do paddock, ter de lidar com as perguntas normalíssimas da comunicação social sobre o futuro, corrida após corrida, estar constantemente a sentir que cada corrida tinha de ser uma prova daquilo que poderia fazer, numa fase em que ainda estava a habituar-me à mota e os outros pilotos já estavam muito mais dentro do que eram os limites da mesma mota”, referiu o piloto em declarações à SportTV.

Miguel Oliveira explicou que está tranquilo em relação ao futuro. “No sentido em que, quando sabemos do nosso valor, quando sentimos que podemos acrescentar algo de positivo a qualquer equipa e a qualquer construtor, só podemos ter uma abordagem tranquila. O futuro está em aberto e é mesmo verdade. Neste momento tenho várias opções em cima da mesa para ponderar, mas não são escolhas fáceis”, disse, sendo que a prioridade actual é “continuar a correr”.

“O sentimento ainda me mantém muito dividido neste paddock. Passei muito tempo da minha carreira aqui, cresci aqui. Conheço practicamente toda a gente de todas as equipas e, de alguma forma, gostava de manter esta ligação ao paddock. Para já há uma porta aberta para sair, mas a porta que está aberta para sair também pode estar aberta para entrar. Gostava de manter esse elo de ligação aqui ao paddock, mas só poderei tê-lo forçosamente como piloto de testes dada a dinâmica do ano que vem. Essas portas aqui, para ser piloto a tempo inteiro no ano que vem, fecharam-se”, disse ainda Oliveira.

Oliveira disse ainda que a possibilidade de acumular uma posição como piloto de testes no MotoGP e outra como piloto no Mundial de Superbikes pode ser “uma via a explorar”. “Está tudo em aberto. Espero que nos próximos dias ou semanas as coisas possam concretizar-se e que eu escolha uma opção que me deixe feliz. Escolher as duas seria um desafio, até porque uma categoria está a mudar de Michelin para Pirelli e a outra de Pirelli para Michelin, a competir. São sempre motas, têm acelerador e travões, mas as coisas são sempre um bocadinho diferentes”, frisou. Pode ler aqui as diferenças entre o MotoGP e o Mundial de Superbikes.

“Eu quero mesmo é competir, por isso é que o papel de piloto de testes a tempo inteiro me deixa muito dividido. O meu desejo é mesmo de competir, estar em pódios e vencer corridas. A ida para as Superbikes é algo que me deixa possivelmente muito agradado, até porque os lugares são em equipas oficiais, com estruturas bem montadas e fortes, e isso é a ambição de qualquer piloto, voltar a um sítio onde se possa ser competitivo”, salientou o piloto.

“Sabia para o que vinha, em 2024, e a minha abordagem não vai mudar. Vou ser sempre profissional, até ao fim. A única coisa que pedi à Yamaha foi que também o fosse comigo. As coisas vão continuar assim até ao final”, terminou o piloto de Almada

Esta época ficou marcada pela batalha travada por Oliveira contra lesões e quedas. Só começou nove das 14 corridas já realizadas no Mundial de MotoGP e desistiu em duas, terminando apenas sete. Neste momento é o 23º classificado no Mundial, com 10 pontos. Este fim-de-semana ficou em nono lugar no grande prémio da Catalunha.

Miguel Oliveira está no MotoGP desde 2019, quando ascendeu à categoria rainha com a Tech3 KTM, sendo até hoje o único português a competir a tempo inteiro na categoria máxima do motociclismo de velocidade. Desde então, só terminou duas vezes o Mundial no top-10: em 2020, quando foi nono, e em 2022, em décimo.

Após o GP da Áustria, o almadense já tinha dado a entender que a sua permanência na elite do motociclismo mundial seria muito difícil. Neste momento, está oficialmente sem equipa para a próxima temporada e já não existem vagas em aberto.

Faltam ainda correr sete grandes prémios, sendo que a temporada termina a 16 de Novembro em Valência, passando por Portugal de 7 a 9 de Novembro. O próximo grande prémio é o de San Marino que se realiza entre 12 e 14 de Setembro.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online