E eis que Maio passou, estamos em Junho!

Na verdade, queria poder voltar atrás para poder apanhar todos os espectáculos que perdi, por Maio ter sido um mês de muitas viagens, como não tive memória de outro assim.

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Apetece citar Edmund Spenser, o poeta inglês (1552-1599)

“ E depois dela chegou o jovial Junho,
de folhas verdes vestido, como se fosse um actor.
Não só se divertiu como também trabalhou,
pois o seu arado sulcou os campo.
Veio montado num caranguejo, que o transportava
num passo arrastado e desajeitado,
andando para trás com os barqueiros experimentados,
quando se inclinam para o lado contrário.“

Daniel Gonçalves, Livro de Termos, Saudades e Omissões, Ed N9na Poesia, Ponta Delgada, 2024

Na verdade, queria poder voltar atrás para poder apanhar todos os espectáculos que perdi, por Maio ter sido um mês de muitas viagens, como não tive memória de outro assim. Curiosamente nos Açores, onde é sempre bom voltar, encontrei, por acaso, em Ponta Delgada uma edição do Prémio Literário Cidade de Almada 2023, na modalidade de Poesia – o Livro de Termos, Saudades e Omissões / Book of Wills (edição bilíngue, português e inglês) de Daniel Gonçalves (1975, Santa Maria, Açores). 

Em Madrid, no Thyssen-Bornemisza, museu que mais me apraz, dada a sua escala humana e as exposições singulares que proporciona, no último dia da que foi dedicada ao pintor dinamarquês Vilhelm Hammershøi (1864-1916) “guardei” um dos seus belos quadros “O Quarto da Música” (1907), que me fez lembrar os concertos que perdi no Festival dos Capuchos. 

Wilhelm Hammershøi, The Music Room, 1907

Mas não perderei na noite de 12 de Junho (21h) no Museu de Almada a festa que divulgará a programação integral da 43a edição do Festival de Almada. Saber-se-á então qual o nome, em presença, de quem será homenageado este ano pelo Festival.

Um ano a completar-se sobre Lia Gama, a Actriz então homenageada.

Ocorre perguntar-me se terá já terminado a possibilidade de inscrição no curso de formação “O Sentido dos Mestres”, este ano com Miguel Seabra, actor, encenador e co-director com Natália Luiza do Teatro Meridional, a acontecer de 13-17 de Julho, entre as 15h e as 18h, na Casa da Cerca. 

Conhecida a sua sensibilidade artística, é algo que me interessa sobremaneira. E, por certo, um dos felizes acontecimentos, em paralelo com os espectáculos a ver de 4 a 18 de Julho. 

Mas atenção ainda ao Festival Sementes, a mostra internacional de artes para o pequeno público, produzida e organizada pelo Teatro Extremo, ainda a decorrer (desde 22-05) até 7 de Junho. Neste último dia, domingo pela manhã (10:30), no Parque da Paz, a biblioteca itinerante Aletria, com a ficha artística Susana Pires, João Tempera e Luís Polido, integra a Oficina de criação e construção de fantoches de dedo. Um desafio aos participantes a dar-lhes forma e vida, motivada a sua imaginação, a partir de materiais reciclados. No final da oficina, com a duração de 45 minutos, cada criança levará para casa o seu fantoche original. 

O que ainda ocorre: Viver ou muito simplesmente visitar, estar em Almada é olhar para o Rio.

LANDMANN, George, 1779-1854 Historical, military, and picturesque observations on Portugal, View up the Tejo.

Em 1812 já o pintor inglês e professor de desenho Robert Barker apresentou um panorama com a vista de Lisboa, a partir de Almada. A exibição do View of Lisbon terá acontecido entre 28 de Fevereiro de 1812 a 3 de Abril de 1813, em Leicester Square. Cfr. o site Almada Virtual Museu.

Decorre ainda do recém-publicado livro “Pedra da Paciência”, de José Manuel Castanheira, numa edição da Guerra e Paz, que os “Panoramas” eram edifícios onde se podiam efectuar imensas viagens imaginárias a um condensado de lugares remotos do globo, lugares que na época eram inacessíveis à maioria das pessoas; e que o seu desaparecimento coincide com a inauguração das primeiras linhas de comboios, pois que, melhor do que os panoramas, o comboio oferecia agora o mundo num “abrir e fechar de olhos”. 

Antes de terminar, apetece também citar, na descrição de Lisboa vista do outro lado do Rio, um tal Major Augustus Frazer da Royal Horse Artillery: 

“(…) O dia estava lindo, o cenário talvez o mais belo do mundo. O castelo de Almada foi o lugar a partir do qual o Panorama foi pintado.”

Maria Emília Castanheira (escreve de acordo com a antiga ortografia)

Maria Emilia Castanheira

Licenciada em Direito, ex-jurista, ESTC (ex Conservatório) e Actriz. Poesia, sempre!

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