Cais do Ginjal já reabriu ao público

Percurso ribeirinho muito querido pelos almadenses reabriu ao público com iluminação, passadiços de madeira e uma exposição

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Após três meses encerrado, depois da emissão de uma situação de alerta decorrente de problemas de segurança, e depois de efectuadas as demolições e terraplanagens necessárias, o Cais do Ginjal reabriu ao público na passada Quinta-Feira, 31 de Julho. A zona que vai do terminal fluvial de Cacilhas até aos restaurantes em Olho de Boi ficou interdita a 3 de Abril, devido a um abatimento no seu piso e ao perigo de derrocada de parte do edificado. Almadenses e turistas podem voltar a caminhar pelo histórico percurso ribeirinho.

Sem buracos, com iluminação, passadiços de madeiras nas zonas mais críticas (que serão ainda intervencionadas, sob a responsabilidade da APL – Administração do Porto de Lisboa) e uma exposição sobre o local, está concluída a primeira etapa de reabilitação deste passeio ribeirinho.

As obras estruturais que fazem parte do Plano de Pormenor do Cais do Ginjal, aprovadas em 2020, encontram-se num impasse jurídico entre o promotor o Grupo AFA, um grupo empresarial madeirense dedicado à construção e ao imobiliário, e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que reclama a posse dos terrenos argumentando que pertencem ao domínio público hídrico. A Câmara Municipal de Almada (CMA) encontra-se a trabalhar em conjunto com com o Grupo AFA num alteração do plano, que permita acabar com este impasse.

“Terminadas as demolições, estão agora garantidas as condições para devolver a vida, segurança e dinamismo a uma das zonas mais queridas e procuradas da nossa cidade”, escreveu Inês de Medeiros, presidente da CMA, nas redes sociais. “Ao longo do percurso, poderão ver também uma exposição sobre a história deste espaço icónico da história de Almada. Este será um novo capítulo, onde passado e futuro se encontram, e os almadenses e quem nos visita voltarão a usufruir deste rio maravilhoso que é o nosso Tejo.”

O projecto do Grupo AFA, implica um investimento de 300 milhões de euros e tem prevista a construção naquela zona de um complexo com cerca de 300 habitações, um hotel com 160 quartos, estruturas para comércio e serviços, equipamentos sociais e culturais e 500 lugares de estacionamento, numa área com cerca de 90 mil m², que está está neste momento interdita ao público com gradeamento.

Contactado pelo Almada Online, o Grupo AFA declarou que “os trabalhos realizados no Cais do Ginjal corresponderam a demolições de construções identificadas como estando em risco de derrocada. Tratou-se assim, de uma intervenção de carácter preventivo, motivada por razões de segurança.” Quanto aos planos futuros para o local acrescentaram que “o Grupo AFA mantém o compromisso de avançar com o projecto de revitalização da zona ribeirinha do Cais do Ginjal, logo que estejam reunidas todas as condições legais para o efeito”.

Ainda em Abril, a autarca tinha explicado que estava prevista a criação de um muro com um portão para impedir o acesso à zona. Além desta barreira, a Câmara Municipal activou, na altura, uma Zona de Concentração e Apoio à População (ZCAP) para acolher as 50 pessoas que ali viviam ilegalmente. Esta Quinta-Feira, em declarações à Lusa, Inês de Medeiros garantiu que os ex moradores foram acompanhados pelos serviços sociais municipais e que foram encontradas soluções para cada caso.

O Cais do Ginjal, existente desde 1845, funcionava como zona industrial de abastecimento de navios, além de possuir armazéns de vinho, azeite e vinagre. Nos últimos anos, a zona de Cacilhas, virada para Lisboa e para o rio Tejo, começou a atrair dezenas de turistas, não só pelos seus renomeados restaurantes, mas também pela paisagem que se torna particularmente atractiva ao pôr do sol.

Outro dos motivos foi o local ter sido cenário da famosa série da Netflix “La Casa de Papel”, e do filme “Velocidade Furiosa 10”, que ajudaram a popularizar ainda mais os estabelecimentos que ali se situam. O famoso restaurante Ponto Final foi um dos espaços escolhidos para as gravações da quinta e última temporada da série espanhola.

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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