Depressão Martinho causa estragos por todo o concelho

Queda de árvores ou estruturas são a maioria das ocorrências verificadas

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Foi uma noite longa e complicada para os almadenses, com a passagem da depressão Martinho a fustigar o Concelho com vento, chuva, agitação marítima e fluvial bastantes fortes. Segundo a Câmara Municipal de Almada (CMA), registaram-se mais de 250 ocorrências, a sua maioria quedas de árvores ou de estruturas (marquises, hapas metálicas de obras, painéis publicitários, sinalética vertical, postes de electricidade e de telecomunicações), danos em esplanadas, montras e viaturas. Até ao momento não houve feridos a registar.

Na reação ao temporal os trabalhos de limpeza ainda decorrem em vários locais, e nele estão envolvidos os três corpos de bombeiros do Concelho (Almada, Cacilhas e Trafaria), todas as forças de segurança, voluntários da Protecção Civil, bem como diversos serviços da CMA e das Juntas de Freguesia. Os trabalhos estão a ser coordenados no terreno pelo Serviço Municipal de Proteção Civil de Almada (SMPCA).

Os comboios da Fertagus suspenderam a circulação às 2h20 da madrugada de dia 20 de Março, para a retomarem às 3h. Às 5h20, devido a problemas na infraestrutura causados pelo temporal, a circulação nos primeiros horários da manhã foi realizada em via única entre o Fogueteiro e o Pragal, o que provocou atrasos. Às 5h40, devido a um problema numa cantenária, a circulação foi suspensa entre a estação de Coina e Roma-Areeiro nos dois sentidos, e a circulação apenas foi efetuada entre as estações de Coina e de Setúbal, sendo restabelecida em todo o troço às 7h25, com atarsos significativos. A circulação de comboios só ficou totalmente operacional sem atrasos cerca das 13h.

As zonas mais afectadas pela depressão Martinho foram a Costa da Caparica, Trafaria, Charneca da Caparica e Sobreda. Várias escolas do concelho encontram-se encerradas devido a quedas de árvores ou danos nas suas estruturas (coberturas e telhados). Durante a noite houve também cortes de electricidade e de Internet em algumas localidades devido a queda de postes ou árvores.

Há ainda a assinalar a quebra de vidros e estores, derrocadas em varandas antigas, queda de marquises, muitos lençois de água nas estradas e pequenas inundações. Um problema sentido em todas as freguesias foi a deslocação de contentores do lixo e ecopontos, que com o vento foram arremesados contra carros e habitações. Algumas pessoas saíram à rua enfrentando a tempestade para os tentarem fixar, na esperança de diminuírem os danos.

Na freguesia da Caparica e Trafaria o cemitério do Monte da Caparica encontra-se encerrado temporariamente, devido à queda de várias árvores e danos em infraestruturas.

Judo Clube Pragal ficou sem parte do telhado e com 30 tatamis ensopados e sem utilização para practicar. A farmácia Holon na Costa da Caparica ficou sem a sua grande montra e o que se encontrava no seu interior foi espalhado pelo vento. Houve também estragos nos parques de campismo da Costa da Caparica, com quedas de árvores, lonas e estruturas metálicas de álveolos que se soltaram.

Nos Capuchos foram muitas as quedas de árvores e danos provocados em habitações (muros e telhados). O crescimento das árvores e a sua dificuldade se fixarem ao solo, causando buracos e lombas nas estradas e passeios era um problema identificado há muito pelos moradores e pela CMA, uma requalificação necessária e urgente, que até ao momento não tinha sido resolvido. O Convento dos Capuchos encontra-se temporariamente encerrado ao público, sem previsão de data para a sua reabertura.

O trabalho está longe de estar concluído, mas todas as forças no terreno do concelho de Almada se dizem “empenhados em que seja o mais célere possível.” Aos cidadãos pede-se que sigam as indicações da Protecção Civil.

Segundo o IPMA, o Concelho de Almada encontra-se ainda em Alerta Amarelo para agitação marítima, com ondas de oeste/sudoeste com 4 a 5 metros, passando a ondas de noroeste no dia 22 de Março. A precipitação, por vezes forte, pode ser de granizo e acompanhada de trovoada, até às 21h de hoje. O vento, soprará de sudoeste com rajadas até 80 km/h, rodando para noroeste a partir da madrugada, mantendo-se o seu alerta amarelo até às 12h de dia 22.

Na galeria pode ver fotografias da destruição deixada pela depressão Martinho por todo o concelho de Almada. Algumas destas ocorrências já foram resolvidas pela Protecção Civil, pelas corporações dos bombeiros almadenses e voluntários.

Charneca da Caparica - ©UFCCS

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A depressão vai continuar a afectar o território de Portugal continental durante esta Quinta-Feira, Sexta-Feira e até mesmo o Sábado. Só no Sábado é que começa a diminuir a sua influência. Esta Quinta-feira, a situação nas regiões norte e centro vai desagravando, mas vai aumentar a actividade na região sul”, afirma ao Público Paula Leitão, meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). O pior já passou.

A depressão Martinho provocou estragos de Norte a Sul do país. Das 0h de dia 19 até às 7h de dia 20 foram registadas 5.800 ocorrências em Portugal, 15 desalojados, 13 pessoas deslocadas. Das ocorrências 2.314 foram relativas a quedas de árvores, 1.169 quedas de estruturas, 643 limpezas de via, 45 movimentos massa e 38 inundações”, disse à agência Lusa José Miranda, da ANEPC (Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil). Cerca de 82 mil clientes fornecidos pela E-Redes – Distribuição de Eletricidade continuavam às 14h de dia 20, sem energia devido aos efeitos do mau tempo, sobretudo nos distritos de Leiria e Coimbra. Às 12h46, o Ministério das Infraestruturas e Habitação (MIH). destacou que no Porto de Lisboa “os navios de cruzeiro aguardam entrada e outros não conseguiram entrar devido à ondulação de quatro metros na barra do porto”. 

Em caso de ocorrência contacte:

Nº Emergência: 112
PSP: 212 721 400
GNR: 265 242 580
Serviço Municipal Proteção Civil: 212 946 577
Bombeiros de Cacilhas: 212 722 520
Bombeiros de Almada: 212 722 290
Bombeiros da Trafaria: 212 950 093

Sofia Quintas

Directora e jornalista do Almada Online

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