Governo autorizou 5,5 ME para estudos do túnel Algés-Trafaria
A previsão é que esteja concluído em 2036
O Governo autorizou a Infraestruturas de Portugal (IP) a realizar uma despesa, entre 2026 e 2029, até ao montante global de 27,5 milhões de euros (ME) para os estudos de 16 projectos rodoviários prioritários, de entre os cerca de 30 que definiu em Março do ano passado. Deste valor, 5,5 milhões de euros destinam-se à ligação em túnel imerso entre Algés e a Trafaria, que o Executivo pretende que seja a quarta travessia do rio Tejo. A decisão foi formalizada através da Portaria n.º 91/2026/2, publicada em Diário da República a 20 de Fevereiro de 2026.
A portaria autoriza a IP a proceder à repartição de encargos plurianuais, definindo já para este ano uma despesa de 5,8 ME. No que diz respeito ao túnel Algés-Trafaria, a portaria distribui os 5,5 ME por quatro anos: 500 mil euros em 2026, 2,375 ME em 2027, 2,075 ME em 2028 e, 550 mil euros em 2029.
A portaria marca o arranque da fase técnica, que irá verificar a viabilidade da futura travessia. Nesta etapa, são frequentemente avaliados as soluções de engenharia e traçado, compatibilização com as redes viárias existentes, impactos ambientais e territoriais, estimativas do valor global da obra, modelos de financiamento e exploração, calendário de execução, entre outros.
Este arranque, estava previsto ser realizado até ao final do ano passado, iniciando-se agora com dois meses de atraso.
O túnel Algés-Trafaria poderá vir a tornar-se uma alternativa às travessias do Tejo existentes, e representar uma alteração estrutural na mobilidade entre as duas margens, reforçando a ligação entre duas zonas ribeirinhas, com forte pressão pendular e fazendo a ligação da A33 à CRIL.
O avanço do estudo reacende o debate público sobre o papel desta infraestrutura no equilíbrio da rede metropolitana, numa altura em que a região continua a ter congestionamentos, duração longa das deslocações e, necessidade de diversificação de acessos entre as duas margens.
Uma quinzena de colectivos, movimentos e associações ligadas à mobilidade suave e sustentável, não são a favor deste projecto, que apelidam de “projecto faraónico”. Defendem que irá reforçar ainda mais a dependência do automóvel e, que a solução Trafaria-Algés passa por investir nos transportes públicos, sobretudo no reforço dos serviços ferroviários e fluviais.
A Câmara Municipal de Almada (CMA) estima em 1,1 mil ME a construção do túnel, num prazo previsto de sete anos, ou seja, em 2036, contando com os quatro anos de estudos técnicos.
Na Resolução do Conselho de Ministros aprovada há quase um ano, o Governo determinou e identificou 30 projectos rodoviários prioritários para as quais a IP deverá promover os estudos, tendo em vista a sua possível execução, e identifica as vias rodoviárias para as quais a empresa deverá prosseguir os estudos ou acções tendo em vista as adaptações, requalificações e alargamentos necessários, admitindo que novas vias possam ser lançadas no modelo PPP (Parceria Público-Privada).
Entre os projectos considerados prioritárias contam-se, entre outras, a construção do IC31 entre Monfortinho e a fronteira, a A26/IP8 – Santa Margarida do Sado/Beja, a A13/IC 3 – Vila Nova da Barquinha/Almeirim ou o IC13 – Montijo – Coruche/Mora/Ponte de Sor/Alter do Chão.
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